28 de abr de 2009

Quero mais...



Sem mais e sem menos



–Eva, há cinco ou seis luas a gente conversou sobre o tempo que parecia estar mudando e atualmente vejo que é uma realidade. Piorou pouco, mas, por exemplo, os 300 camelos que eu usava para irrigação, agora 250, foram muito usados, e não havendo reposição porque eles ficavam cansados demais não procuravam as camelas para conhecê-las. –Pérai Adão, pode-se usar esta palavra para explicar o casamento? Não é só para uso bíblico? –Vamos lá! Eu não sei o que vai ser escrito. Tivemos ordem de nos conhecer, lembra? Nos conhecemos e pronto, e sabemos que todos os bichos fazem isto, até míseras borboletas, já prestou atenção quando elas passam voando grudadas uma na outra, se conhecendo e sem conhecer por onde estão voando? –Poxa, Adão, fala assim não das borboletas, são tão mimosinhas, arre! –Evinha, outro dia vi um pássaro engolir um casalzinho e acabar com o festim voador. Espertas são as joaninhas, estes besourinhos que se vê a toda hora. –Uai, as joaninhas não são todas fêmeas, Adão? –Minha nossa, o nome é de mulher, mas elas são macho e fêmea desde que o mundo é mundo. Mas o interessante é que quando percebem um passarinho, ou outro perseguidor tombam de barriga para cima, se imobilizam, e ainda dão uma cagadinha tão mal cheirosa que os bichos as deixam em paz. –Opá! Será que é por este cheiro que elas tem nome de gente? –Sei lá! Me faz cada pergunta, hein? Continuemos o assunto. Você estava tão preocupada com a barriga carregada do Abel, com o Caim dando uma trabalheira danada, a fazer comida, limpar a caverna, que preferi esperar a cuspida do Abel. Piorou seu trabalho, eu sei, mas não posso adiar mais o assunto. A colheita de trigo, do arroz, feijões e uvas diminuiu sensivelmente. Por milagre não podemos esperar, isto não existe, podemos tirar o cavalo da chuva. Fiz mais desmatamentos, quase todo dia fizemos uma fogueira nova aqui na caverna. E até do lado de fora para espantar os animais que comem outros e podem até querer comer a gente; não podemos pagar para ver. O frio aumentou também, então é hora de levantar acampamento e migrarmos. –Entendo! –Eva, eu havia falado em terras novas, virgens portanto, férteis, e agora mais do que nunca com mais uma boca para botar comida não podemos adiar a mudança. Lembra quando era eu sozinho? Você foi feita e dobrou a população, mas tudo era de graça, estávamos no paraíso. –Tá bem, Adão! Quer me explicar como eu vou me lembrar quando você era só? –Tem razão, não posso explicar, falha minha! Na outra conversa eu falei que com Caim triplicou a população, mas foi um engano, na verdade aumentou cinquenta por cento e com o Abel é que dobrou a população. Está certo? –Deve ser isso, precisa ficar fazendo contas? Não gosto de matemática. Vou deixar estas tarefas para minhas descendentes quando passarem a fazer compras nas xepas das feiras ou nas promoções dos supermercados.
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-Bem, você sabe que nestes últimos dias, entre trabalhar e dar inúmeras viagens para onde vamos morar, consegui carregar toda nossa reserva de grãos, meus objetos de roça, as facas de pedra, algumas roupas de pele. Olha, não levei aquela manta de pele de cabra montês branca com manchas marrons porque está furada, com buracos roídos, acredito que sejam de ratos.
–Adão meu querido, você está confundindo gato com lebre... –Como assim? A tal manta, onde está? –Joguei ali fora na moita de espinheiros. –Minha nossa, estou cansada de falar para não jogar lixo em qualquer lugar. Você também tem que dar bons exemplos, a quem eu não sei, porque estes filhotes só aprendem coisas com muita ralhação, gritos e repetições, isto é, o Caim. É duro, eu sei, mas ser mãe é padecer no paraíso, e esta frase vai ser repetida por séculos e séculos. –Tudo bem, mas está no espinheiro, joguei ali, porque o Caim andava dando mordidas nela e antes que pegasse uma doença a desprezei. – Legal seu tonto, aquela manta foi feita por mim, comprei não, me deu muito trabalho, e não era de cabra, era de arminho, marrom e branca; eu ia remendá-la. Sabe quantos arminhos peguei na armadilha? Uns dez só para aquele casaco. –Casaco ou manta? –É, e você comeu da carne também e lambeu os beiços! –Eva, voltando ao início da conversa, lá para onde vamos há uma caverna mais bonita que esta, com o chão mais seco, com pouca umidade ao fundo e mais plano, sem pedras salientes para tropeçar, mais elevada, com uma rampa estreita que dificulta a subida de bichos e, mais incrível, tem uma nascente pequena no alto do fundo dela com um água limpa e gostosa, geladinha, e que some no fundo de areia. Dá até para tomar banho de cachoeirinha, lavar as coisas da cozinha, as peles... Perfeita para criar os filhotes. –Vivaaa... agora vou poder ter um montão de filhos!

20 comentários:

Mario disse...

Dácio, só comecei a pouco a acompanhar esses seus posts desta série, mas tem se tornado uma leitura por demais agradavel. Parabéns, amigo.

Miguel S. G. Chammas disse...

Brimo quirido,
agura junto conaula di freligion vuce sta ensinando tambem biologia?
Acho que eu vai párar de ler uce, bor quer daqui a bopuco uce vai cobra mais caro bur causa do variedade de materias.
Bensando direitinio, acha que vai continuar o leitura, sta muito boa essa historia.
Balsi

Soninha disse...

Olá, Dácio!

Que legal esta conversa séria de Adão com a Eva. Demorou, não é mesmo?!
Nem preciso reafirmar minha adesão às mudanças...Mudanças saudáveis, necessárias.
Com a migração da família Adâmica haverá a disseminação de sua cultura e a possibilidade deles conhecerem novas.
Claro que haverão de enfrentar novos problemas, mas, ficará provado e a história nos mostrou ,que as viagens e a cultura de outros povos só nos traz engrandecimento pessoal, além do desenvolvimento de nossa alma.
Muito bom!
Muita paz! Beijossssssssssss

Dora disse...

Então a família é nômade...Começou a peregrinação. E está melhorando, depois que a prole duplicou, né? Por causa dos filhos, há que se pensar no futuro, na boa formação, educação, faculdade, etc...rs
Amigo, eu me divirto a valer com sua história "bíblica-futurista", principalmente com o diálogo do casal! Adão é tão parecidinho com os homens de hoje...e Eva, é uma mulher-de-verdade!
Beijos, caríssimo!
Dora

Georgia disse...

Dácio e a saga Adao e Eva continua...

Passando para um abraco

Jens disse...

Oi Dácio.
A família cresce e progride. Hosana nas alturas, benditos sejam!
Um abraço.

Zeca disse...

Meu amigo Dácio!

Finalmente o Adão deu as caras e melhor: começou a mostrar-se o verdadeiro provedor da família. E a Eva, um pouco ingênua, começa a comemorar a nova caverna que lhe proporcionaria o aumento da família. Sem pensar no aumento do trabalho para cuidar de uma família maior. Ou será que ela estava pensando mais na forma como se aumentam as famílias?!?!?!

Abração.

Dd Faustino ^^ disse...

Se escrever um livro com suas histórias, eu compro! e indico para todos... vc escreve muito bem meu querido... parabéns...

imagina Adão e Eva com um montão de filhos... na cachoeira geladinha, rss

Volto!

Bjs!

Beti Timm disse...

Dacinho,

estou indignadíssima com a falta de sutileza do Adão! O homem sempre será um eterno troglodita; jogou fora a mantinha que a Eva fez com tanto carinho, e pela descrição era de oncinhas a estampa, tsc, tsc...

Agora só ta faltando a o refrigerador para gelar a cervejinha do Adão, uma tv tela plasma, telefone, e um micro ondas pra facilitar a vida da Eva, ou quem sabe uma secretária do lar, aí tudo será perfeito. Mas eles chegam lá. Adorei como sempre a saga dessa dupla incrível!

Beijinhos cheios de carinho!

Crys disse...

Fico sempre impressionada a cada leitura que faço, com as novas aventuras de Adão e Eva e agora os filhotes.
Revelando entre tantas outras coisas,que mulher com jeitinho leva o homem a fazer o que ela quer. rsrs

Obrigada, pela dica (no blog), fiz o dever de casa direitinho. Mas tenho mais coisa pra perguntar ao mestre...rsrs. Mas fica pra depois...

Beijo, Dácio!

luzdeluma disse...

Ora, ora, Adão explicando o casamento! Esses dois vivem discutindo a relação! (rs*) E Eva só pensa naquilo!! Beijus,

Eurico disse...

Mais uma vez hilária, a narrativa. Adão não deve avisar pra Eva que no futuro ele ficará no sofá, controle remoto em punho, e nem aí pra tentativas de aumento da prole... se ela soubesse disso, o progresso não viria.

Abraçamigo.

Anônimo disse...

O que eles não sabem é que vai chegar a crise do setor imobiliário... mandando o sonho da cachoeirinha-jacuzzi pro brejo.

Sua história provoca a minha imaginação, além de me fazer rir muito.

Beijos, carinho,
AdéliaTheresaCampos

*Renata disse...

De onde vem tanta criatividade?

Lembrar que as joaninhas têm nome de Joanas, mas são homens e mulheres foi o máximo!!!

Beijo Dácio e obrigada pela visita de hoje :)

Cláudia Pit disse...

Oi amigo, adoro ler-te e adoro também quando você passa pelo meu cantinho, obrigda viu... Você é um amigo querido.

Agora falando do seu texto, eu sempre tenho dó das borboletas, pois meu filho caçula teima em tirar uma de cima da outra, mas hoje fiquei com pena das joaninhassss femeas, pois, se os outros insetos não aquentam o seu 'cheiro', como é que a joaninha macho não vai aguentar..rsrs
Abço

Soninha disse...

Oie...

Gosto mais desta terceira pintura.
Está linda.
Parabéns!

Muita paz! Beijosssssssss

Crys disse...

Eu tb gostei muito dessa imagem, o azul da sensação de paz, quietude... pensei em colocar até uma rede entre os coqueiros, e esperar a vida passar... rs

Beijão, Dácio!

Dora disse...

Mudou de novo! E ficou bonito! Queria ter essa facilidade(ou habilidade?) prá fazer o que quisesse no meu blog...Mas, dependo da amizade alheia...rs
Beijos, moço artista!
Dora

shi disse...

Manozinho, taí, a Eva explicou tudo com a metáfora das joaninhas: desde que o mundo é mundo que o cerumano, qdo se vê na merda, aumenta o bolo, né? kkkkkkkkkkkkkkkk Mas vem cá: tu tava lá presente, pra saber de tantos, hum, detalhes, num tava? rs. Tu-di-bom! :-D Bjo, Queridácio!

Bete disse...

E haja filho!"!!!
Adorei a leitura.
Um beijo grande, querido.