13 de mai de 2009

Migrando

Sem mais e sem menos


-Aqui ó, Adão, está bem que você fez um monte de viagens transportando a mudança, quer dizer, as ferramentas, sementes e roupas. Eu estou aqui carregando estes dois meninos, o Abel enganchado nos braços e o Caim pendurado nos meus ombros por este carregador de arminho, que luxo hein? Ele é macio, peludinho, confortável, uma verdadeira grife, mas peraí, é muito peso para mim estes dois moleques. Me faz um favor, pega o Caim que é mais pesado! –O quê, esqueceu que vamos atravessando o mato por trilhas? Elas não foram feitas com facão que isto não existe. Amassando na pancada, dando porretadas e quebrando galhos, derrubando arbustos é que foi feito este caminho que você está conhecendo. Isto aqui não é o Paraíso, volto a lembrar, aquilo era cinematográfico, coisa projetada por engenheiros, paisagistas e jardineiros, ou os tais de anjos, ou o cara que criou a gente. –Ainda bem que este tal cara não é aquele a quem Obama se referiu, o que diz que antes dele nunca naquele país nada foi melhor do que sob as rédeas dele. Ele deve pensar que somos jegues ou burros! –Não sei nada de obama, que palavra é esta? –Pelo que sei, vai haver um tal de Maomé daqui há muitas luas que terá um guerreiro chefe que se chamará Osama que quer dizer leão na língua da tribo Al rabiah que vai ser conhecida como árabe. Mais tarde haverá uma variação que se chamará swahili e nela o leão se chamará "obama". Barack, é o nome do cavalo com asas que vai levar Maomé a uma jornada noturna no Paraiso, é, aquele mesmo de onde saímos, tenho minhas dúvidas que continuará a existir. Hussein vai ser um neto de Maomé. Veja que o homem foi homenageado para burro! –Minha nossa, você me espanta com tanta erudição. –Seu bobo, não quero enganar você, é só consultar a Wikipédia. –Wiki o quê? É a tal da sua intuição? –Deixa para lá. Me alivia deste peso aqui. –Não posso, tenho que ficar com as mãos livres e armado de porrete e deste arco e flechas para nos defender de ataques de tigres e leões. –Deixa de ser besta homem, você não vê que nada vai acontecer, que estas armas de nada vão adiantar se formos atacados por eles. De mais a mais, presta atenção; atacados e comidos, acaba-se a nossa humanidade vai para o brejo com caçamba e tudo. Adeus civilização! –Se você acha, e eu estou me acostumando com suas adivinhações, Eva, tudo bem, deixa-me pegar o Caim, dá aqui. Pesadinho hein? –Ô, cara! No fundo, no fundo acho que você queria dar uma de malandro, jogando esta conversa de bichos devoradores para cima de mim. Mas eu desculpo você, afinal nunca pegou Caim no colo, nunca fez carinho nele e pelo que vejo você está entrando pelo mesmo caminho com Abel. –Eva, o que é carinho? –Bem, você já prestou atenção nas macacas quando estão com os filhotes no colo ou quando estão encostados neles ou até macacas com macacas? Elas alisam os pelos deles ou delas, afastam-nos com as duas mãos e depois botam os dedos na boca, não sei comem alguma coisa, os pelos talvez? Os filhotes esticam braços e pernas, se espreguiçam, rolam no chão. As fêmeas se dão muito bem, encostam-se umas na outras, se roçam, se lambem. Sabe, já vi até macacos encostando os beiços na macacas, mas nunca vi macaco com macaco. –Nem vai ver Eva, eles vivem brigando uns com os outros, é cada corrida que os maiores dão nos menores, fora as mordidas quando um mais fraco é apanhado. E tudo isto para machos e fêmeas se conhecerem. É, e a gente se conheceu duas vezes e pronto! Será que vai ser preciso mais? Não tenho a mínima idéia da necessidade destes conhecimentos. E por falar nisso, a gente já falou na nossa humanidade de quatro pessoas; mas será mesmo verdade que não foram criados outros adões e evas como a gente? Imagina se tem alguns aí pela mata e eles resolverem te conhecer ou me conhecer? Não ia ser nada bom. E você? De repente, sei lá, podemos dar de cara com gente por aí. Não quero saber de intimidades deles com você de maneira alguma, sei que meu bem jamais aceitaria tal calamidade, não é verdade o que estou pensando? –Hummm! –Imagina eu ter que sair dando pancadas e mordidas nos outros e levar também. Para qualquer má intenção, qualquer surpresa besta, essa queixada de jumento acaba com qualquer um que levá-la na cabeça. –Hummm! –Que foi Eva, está misteriosa? –Acaba com esta aflição homem! Prestenção! Entenda muito bem o que vou dizer. Tem feromônio flutuando no ar de tudo quanto é lado que eu me virar, mas é só de animais. Tá uma festa! A gente não está vendo os bichos, mas não sinto cheiro de feromônio nem de macho homem nem de fêmea mulher, será que nós temos? É zero! Absolutamente zero! Minhas narinas não captam nada. Não há uma só partícula, qualquer micrograma por milímetro cúbico em toda a atmosfera. Então você pode se garantir! –O quê?!

28 de abr de 2009

Quero mais...



Sem mais e sem menos



–Eva, há cinco ou seis luas a gente conversou sobre o tempo que parecia estar mudando e atualmente vejo que é uma realidade. Piorou pouco, mas, por exemplo, os 300 camelos que eu usava para irrigação, agora 250, foram muito usados, e não havendo reposição porque eles ficavam cansados demais não procuravam as camelas para conhecê-las. –Pérai Adão, pode-se usar esta palavra para explicar o casamento? Não é só para uso bíblico? –Vamos lá! Eu não sei o que vai ser escrito. Tivemos ordem de nos conhecer, lembra? Nos conhecemos e pronto, e sabemos que todos os bichos fazem isto, até míseras borboletas, já prestou atenção quando elas passam voando grudadas uma na outra, se conhecendo e sem conhecer por onde estão voando? –Poxa, Adão, fala assim não das borboletas, são tão mimosinhas, arre! –Evinha, outro dia vi um pássaro engolir um casalzinho e acabar com o festim voador. Espertas são as joaninhas, estes besourinhos que se vê a toda hora. –Uai, as joaninhas não são todas fêmeas, Adão? –Minha nossa, o nome é de mulher, mas elas são macho e fêmea desde que o mundo é mundo. Mas o interessante é que quando percebem um passarinho, ou outro perseguidor tombam de barriga para cima, se imobilizam, e ainda dão uma cagadinha tão mal cheirosa que os bichos as deixam em paz. –Opá! Será que é por este cheiro que elas tem nome de gente? –Sei lá! Me faz cada pergunta, hein? Continuemos o assunto. Você estava tão preocupada com a barriga carregada do Abel, com o Caim dando uma trabalheira danada, a fazer comida, limpar a caverna, que preferi esperar a cuspida do Abel. Piorou seu trabalho, eu sei, mas não posso adiar mais o assunto. A colheita de trigo, do arroz, feijões e uvas diminuiu sensivelmente. Por milagre não podemos esperar, isto não existe, podemos tirar o cavalo da chuva. Fiz mais desmatamentos, quase todo dia fizemos uma fogueira nova aqui na caverna. E até do lado de fora para espantar os animais que comem outros e podem até querer comer a gente; não podemos pagar para ver. O frio aumentou também, então é hora de levantar acampamento e migrarmos. –Entendo! –Eva, eu havia falado em terras novas, virgens portanto, férteis, e agora mais do que nunca com mais uma boca para botar comida não podemos adiar a mudança. Lembra quando era eu sozinho? Você foi feita e dobrou a população, mas tudo era de graça, estávamos no paraíso. –Tá bem, Adão! Quer me explicar como eu vou me lembrar quando você era só? –Tem razão, não posso explicar, falha minha! Na outra conversa eu falei que com Caim triplicou a população, mas foi um engano, na verdade aumentou cinquenta por cento e com o Abel é que dobrou a população. Está certo? –Deve ser isso, precisa ficar fazendo contas? Não gosto de matemática. Vou deixar estas tarefas para minhas descendentes quando passarem a fazer compras nas xepas das feiras ou nas promoções dos supermercados.
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-Bem, você sabe que nestes últimos dias, entre trabalhar e dar inúmeras viagens para onde vamos morar, consegui carregar toda nossa reserva de grãos, meus objetos de roça, as facas de pedra, algumas roupas de pele. Olha, não levei aquela manta de pele de cabra montês branca com manchas marrons porque está furada, com buracos roídos, acredito que sejam de ratos.
–Adão meu querido, você está confundindo gato com lebre... –Como assim? A tal manta, onde está? –Joguei ali fora na moita de espinheiros. –Minha nossa, estou cansada de falar para não jogar lixo em qualquer lugar. Você também tem que dar bons exemplos, a quem eu não sei, porque estes filhotes só aprendem coisas com muita ralhação, gritos e repetições, isto é, o Caim. É duro, eu sei, mas ser mãe é padecer no paraíso, e esta frase vai ser repetida por séculos e séculos. –Tudo bem, mas está no espinheiro, joguei ali, porque o Caim andava dando mordidas nela e antes que pegasse uma doença a desprezei. – Legal seu tonto, aquela manta foi feita por mim, comprei não, me deu muito trabalho, e não era de cabra, era de arminho, marrom e branca; eu ia remendá-la. Sabe quantos arminhos peguei na armadilha? Uns dez só para aquele casaco. –Casaco ou manta? –É, e você comeu da carne também e lambeu os beiços! –Eva, voltando ao início da conversa, lá para onde vamos há uma caverna mais bonita que esta, com o chão mais seco, com pouca umidade ao fundo e mais plano, sem pedras salientes para tropeçar, mais elevada, com uma rampa estreita que dificulta a subida de bichos e, mais incrível, tem uma nascente pequena no alto do fundo dela com um água limpa e gostosa, geladinha, e que some no fundo de areia. Dá até para tomar banho de cachoeirinha, lavar as coisas da cozinha, as peles... Perfeita para criar os filhotes. –Vivaaa... agora vou poder ter um montão de filhos!

15 de abr de 2009

Caim promete...



Sem mais nem menos

–Caim, larga o braço do seu irmão, minha nossa, outra mordida na mãozinha dele? Coitadinho, já tem várias cicatrizes pelo corpo, não sei sinceramente o que fazer. Se continuar assim vou acabar quebrando as pedrinhas da sua boca, que coisa! “Tenho que estar de olho o tempo todo nesta criatura. Ora dá tapas na cara do irmãozinho, ora está cuspindo nele. Tiro de perto e ele começa a morder minhas pernas, se agarrar nos pelos, este tal de monte de Vênus, eu não sei para que tanto cabelo ali, outro dia quando menos esperava, eu deitada, estava ele a chupar o dedão do meu pé. Antes tinha derramado cinzas da fogueira no meu olho, nossa, como ardeu, elas estavam frias, mas o ardor foi muito grande, parecia brasa me queimando.” –Caim, para com isso... para de lamber esse cocô, isto não é comida, menino, isto é coisa suja, ruim, não sei a quem apelo, vem cá, vamos lavar esta cara suja, ui! “Já preciso de uma babá para estes dois moleques, mas não existe ainda qualquer criatura que sirva, tenho que fazer tudo sozinha, catar frutas, ovos, filhotes de passarinho, obrigar Caim a comer, dar de mamar para o Abel, não deixar que Caim machuque o irmão, não deixar que saia da caverna, está cheio de lobos por aí, tigres e hienas. Tem as cobras venenosas que de vez em quando entram aqui, aí tenho que pegar um pedaço de pau para matá-las, aliás, tenho um ódio mortal por elas, afinal foi uma sem-vergonha destas que me enganou e me fez enganar meu maridão com a história de fazer a gente conhecer, adquirir o conhecimento da tal árvore. Resultado, estamos comendo o pão que o diabo amassou. Será que um dia isto vai melhorar? Ter finais felizes para cada evento? É, não vejo nada no horizonte, nada promissor, tenho que deixar a vida me levar, aliás todos vão seguindo assim pelos dias e luas”. –Caim, acabei de lavar você, estava de cara suja, corpo, tudo enfim! Só não te deixei cheiroso porque não existe sabonete ou cremes. Está você todo cagado de novo desta lama onde seu pai costuma mijar toda noite quando levanta uma ou mais vezes. “E ainda está bem assim porque ele mijava em qualquer lugar, era uma fedentina por todos os lados. Pelo menos consegui botar ordem no pedaço, agora ele faz num lugar só e perto de onde faço os meus xixis. Aliás, eu nem sei mais se Caim se melou na lama mijada do pai ou se da minha, as duas lamas estão remexidas, coisa de porco. Abel vive no colo ou no chão em cima da cama de palhas e também espirra mijo em qualquer lugar, quantos levei na cara! Quantos banhos levei! Palha, quase todo dia tenho que trocar. Se fosse só as dele ainda bem, mas tenho que trocar as dos dois”. –Caim, você está limpinho de novo, vamos dormir para dar um sossego à mamãe, vem, deita aqui, isto, bem comportadinho, escuta: boa noite, meu bem, dorme um sono tranquilo. Boa noite, meu amor, meu filhinho encantador... que esta doce canção venha o sono embalar. “Estou cantando esta suave e acalentadora canção, o ‘Acalanto de Brahms’, porque não sou brasileira, se fosse teria aprendido a cantar uma bobagem assim: boi, boi, boi, boi da cara preta, pega esse menino que tem medo de careta, ou, a canoa virou, e por deixá-la virar, foi culpa do Caim que não soube remar; não, eu não quero de forma alguma contribuir para incutir nada de mal nesta cabecinha, influenciar sua estima para baixo. A antropologia discute naquele país dos brasileiros a razão da baixa estima dos habitantes locais. Acham que tudo lá fora é bom e que tudo lá dentro é ruim; quando algo é bonito, bom ou funciona bem, dizem: nem parece do Brasil. Falam que tudo vem da infância cheia de ameaças, de histórias macabras fazendo a criança sempre vítima, onde o bom perde sempre, a punição é certa e o fracasso é inevitável; eles desconfiam do sucesso e acreditam mais no fracasso. Bem, nada disto quero para meu menino e também, aquele país está tão distante no lá futuro... Como sei que não ficará pequeno toda vida, meu instinto diz-me que crescerá e ficará grande como nós, assim como acontece com os animais. Meu Caim não vai crescer aos trancos e barrancos, ao deus dará, vai receber a educação possível, que Adão e eu possamos dar, sem diplomas de cursos técnicos ou títulos de doutor, será pobre, porém decente, dentro dos cânones atuais. Não quero vê-lo como camelô, vendedor de planos de saúde ou agenciador de empréstimos. Ele tem de crescer com a mente limpa, arejada e sadia para ser um grande homem e orgulho de sua geração. Um homem que elevará o nome de seus pais, só nome, porque ainda não se usa sobrenome. No início será um lavrador como o pai, com ele aprenderá a amansar a terra e produzir alimentos. Depois será um líder que elevará o nome de nossa família aos píncaros da glória, quem sabe um deputado ou senador; por sua mão, Abel terá um caminho reto a seguir. O primogênito vai dar o que falar. Vejo o futuro sorrindo para ele...
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BLOGAGEM COLETIVA - DIA NACIONAL DO LIVRO - QUEM FOI SEU MONTEIRO LOBATO?
Para buscar meu Monteiro Lobato olhei para meu umbigo, e isto com urgência, pois tomei ciência da blogagem hoje, sábado às 12:00hs. Li todos os seus livros há muito. Reminiscente, primeiro ato, entrei no Santo Google; lá descobri em PDF o trabalho interessante e polêmico apresentado abaixo formatado no Word. Extraí-lo, lê-lo e resumi-lo, foi o segundo ato, eis que um tanto longo. Reduzido à metade vale a pena esticar os olhos em cima dele. Nasci no interior fluminense e na minha cidade poucos letrados havia, o padre, o pastor, alguns médicos, dois advogados, professores de ginásio e escolas primárias, dois poetas. Quem era letrado? Os dois últimos que manejavam as letras? Sei não. Sei que ainda no curso primário me vi querendo saber mais que os colegas de aula e me pus a ler as lições do dia seguinte para quando a professora fosse explicar eu pudesse fazer perguntas atinentes. Alguns elogios e o desejo aumentou, e comecei a consultar dicionário para entender as palavras e não comer mosca. Lia algumas a mais na esperança de poder usá-las no futuro. Para muitas o futuro não chegou até hoje. Qualquer belo dia vi uma revista de história em quadrinhos que o dono ma emprestou, levei para casa e comecei a folhear e ler admirando os desenhos. Minha mãe se aproximou, viu, perguntou o que era, pegou-a de minhas mãos e ao ver os heróis, Capitão Marvel, Homem Submarino, Tocha Humana, Super Homem lutando contra bandidos não sei o que deu nela. Deve ter dito que não era leitura para criança, perguntou de quem era, saiu de casa e foi entregar à mãe do colega. Diálogo, lá? Nunca veio a furo. Foi uma furada para mim. Conseguia outras revistas, mas tinha que ler debaixo do piso de laje da casa comercial, atrás de caixotes, com a luz difusa do sol. Em cima da loja um apartamento. Nos fundos passava um rio, na sua margem espetava uma vara de bambu para fingir que pescava enquanto devorava as páginas com os olhos. E quando minha mãe gritava lá de cima por mim respondia que estava pegando minhoca. Ela sossegava e eu, as minhocas também, mas os peixes continuavam desassossegados à cata de comida. Pelo menos lutava para pegar uns três, os azarados do dia e recebia elogios. O dicionário me fornecia explicação para as palavras das revistas. Era magro e minha mãe queria que engordasse. Levava-me ao médico que mandava fazer exames de fezes e com ou sem habitantes nelas receitava lombrigueiro que tomava de madrugada, sob ameaças de chineladas. Tinha um cheiro nauseabundo e provocava náuseas. Algumas tempo depois corria a toda hora para o banheiro, lá depositando com trovoadas a chuva horrorosa provocada; raios saiam da minha boca, todos os xingamentos que tinha aprendido com a molecada. Não encontrava os palavrões no pai dos burros, só as indecentes. Ficava mais tempo do que o necessário lendo história em quadrinhos que escondia debaixo do colchão. Daí para a frente era obrigado a tomar óleo de bacalhau para engordar. Não engordava, minha se desesperava e implicava. Reclamava que tinha vergonha de sair comigo, que era muito magro, as outras crianças davam mais prazer às suas mães. Passei a me esconder, não querer ir a aniversários – tinha que ir- igreja –tinha que ir, casa de parentes- tinha... Passei a ficar caseiro, li todos os livros da minha série do colégio, comecei a pedir emprestados livros da série seguinte; esgotados entendi de frequentar a biblioteca do grupo escolar. Lendo-os em série programada cheguei ao ginásio. Lia e lia. Resolvi ter livros novos, editados mais recentemente. Consegui não sei como comprar meu primeiro título pelo correio, reembolso postal, “Uma Orientação na Ciência”, de vários autores, com várias disciplinas. Americano de origem, traduzido para o português, tornei-me um conhecedor da modernidade cientifica. Não serviu para demonstrar conhecimento em provas ou conversas, todo mundo estava atrasado. Eu tinha onze anos. Passado um ano, comprei um mais pesado, “Você e a Hereditariedade” onde Asram Schienfeld discutia a influência da herança genética e o ambiente para modelar o caráter de cada indivíduo. Ele dizia que onde termina a hereditariedade começa o ambiente. Tive ocasião de travar algumas conversas com professores, mas por “saber de demais” eles tornavam a conversa o mais curta possível. Lido este, endoidei de vez e adquiri Psicologia do Comportamento. Queria entender as pessoas nas suas variadas formas de viver. Passei a compreender o genérico e quando dedicava mais atenção à distância prudente de alguns poucos percebi que poderia antecipar possíveis reações de parentes. Findei a leitura do livro com treze anos.
Dácio Jaegger
Para dizer sobre Monteiro Lobato (2ª parte da blogagem) encontrei um trabalho que aponta seus conflitos e suas contradições sobre “raça”, cor, cultura, ambiente e pobreza, encontradas na obra Geografia de Dona Benta, produzido por: GIARETTA, Liz Andréia, Aluna do Mestrado em Geografia IGCE/UNESP Rio Claro – SP, orientada pelo Professor do Dep. Geografia, ANTONIO FILHO, Fadel David.UNESP Rio Claro – SP. Fiz um texto conciso menos extenuante.
Leia aqui

29 de mar de 2009

Finalmente nasce Abel


Sem mais e sem menos

–Adão, me socorre aqui, aiiiii! Ai! Aiiiiii! Acorda! Aiiieeii! Uuuufff! Acordaaaaa! –Que está havendo Eva, algum bicho te mordeu? –Está tudo escuro, não vejo nada. Acende a luz! –Que luz? –A da fogueira, ué, aiiiii! Andaaaa! –Minha nossa, espera aí que vou colocar mais lenha. –Agora sim, com o fogo aumentado me sinto mais tranquila, aaaaaaaaaaaaaiiii! Dá uma olhada nas minhas coxas, nas minhas partes, eu acho que vai sair... –Sair o quê, outra vez, Eva? –Adão, seu atolado, esqueceu que tem um cainzinho que está para ser cuspido... vem para cá, fica comigo, me dá as mãos, me segura. Não! Me levanta aqui, tenho que ficar agachada, de cócoras! A cuspida vai ser mais fácil, eu sinto que está descendo mais rápido que o Caim, e ainda assim dói, dói menos, parece, respiro melhor, porque prá baixo todo santo ajuda. –Que santo é este que não sei, não estou vendo ninguém aqui, não conheço, você fala cada uma. –Maneira de dizer, isto é, ainda vai ser inventada, mas eu já começo a usar, aaiiiiiiiiii, uiiiii! –Você tem pegar o cainzinho. –Eu? –É! Não! Peraí, bota a mão não, deixa que ele vai saindo lentamente, vai encostar a cabeça na palha! Preciso que vc me segure, me dê apoio, porque se eu cair de costas vai ser uma barra, ele vai ser espirrado muito rápido e se cair de frente eu amasso ele. –Tá! Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, oh vida, oh céus, viu, estou falando meio estranho igual a você –Vai se acostumando Adão que tempos duros virão pela frente, aaiiiiiiii! Uiiiiii! Tá descendo, Adão, está saindo. Virgem, não dá nem para olhar, este barrigão tapa tudo. Pronto! Escapuliu todo, que alívio! Agora me solta e me ajuda a sentar devagar que aquela coisa que saiu depois no outro parto vai sair também agora. Estou sentindo as contrações, viu, não falei? Da outra vez pensei que fosse uma bolota, mas agora dá para ver que é redonda e chata. –Temos que dar um nome a isto, porque pelo visto vai ter um filhote atrás do outro. –É verdade, Adão! Pensando bem, por parecer um bolo chato que em grego é, placous, vamos adiantar a modernidade e chegar ao hoje, aqui e agora. Chegamos ao nome placenta e pronto! Placenta! Tenho que cortar este cordão que liga ao cainzinho, vou meter os dentes e fazer como da outra vez. –Não tem um jeito mais avançado, mais moderno de fazer isso, Eva? –Tem... morde você! –Tá louca? Onde já se viu uma coisa destas? Morder coisa de mulher, isto é uma nojeira, morro, mas não boto minha boca nisto aí. –Tá bem, deixa isto comigo! Pronto, não sou uma coitadinha da silva! E tem mais, vi muitas fêmeas de animais, incluindo macacas, comendo estas placentas, acho que é porque são muito nutritivas e dá forças para a mãe nutrir o filhote e não vou ficar atrás, vou comer esta placenta. –Faça isto não Eva! –Me dá isto... dá aí! Não! Espera um pouco, antes deixa eu lamber este menino, ele tem que ficar limpinho se não vai se encher de formigas. –Cruzes, Eva! Está demais para o meu estômago. Dá licença que vou vomitar ali! “–Bicho fraco este tal de bicho homem! Fazer o quê? Acho que por sido feito de barro há uma certa fragilidade nele para com estas coisas corporais, e eu por ter vindo do corpo dele, de seu osso e músculos, sem passar pela fragilidade do barro, estou mais calejada. Ele passou muito tempo a dormir e comer frutas, ter sombra e água fresca; disto tive pouco, fomos logo expulsos do paraíso; fui logo para o batente e acabo sendo mais forte, afinal sou fruto de uma cirurgia para ninguém botar defeito, sou bela, melhor acabada, refinada que ele e ainda capaz de enfrentar estes entraves. Mãos à obra que a placenta deve estar quentinha ainda! –Crau! Arghhhhhhhhh, que coisa ruim! Acho que fui feita para cortar o cordão umbilical e só, e olhe lá, enquanto está tudo no frigir dos ovos, ainda quente. Esfriada ficou com um gosto nauseabundo, começa a virar carniça, isto é ofício só para as macacas e outros que cachorros e hienas comam o que saiu de você. Afinal não vamos alimentar estes bichos com carnes do seu corpo não é verdade? –Concordo meu Adão querido e idolatrado. Começamos assim o costume de enterrar nossos mortos. –Tudo muito bem, Eva! Enterrei um seu pedaço ou o pedaço dele, saber de quem fica para depois e agora pergunto, vínhamos falando estas luas todas que ia nascer um cainzinho. Era cainzinho prá lá e prá cá. Mas este vai ter que ter um nome diferente para quando ele estiver falando e entendendo as coisas, e quando um nós chamar por Caim não termos os dois respondendo ao mesmo tempo. –Adão, não sei se você vai compreender, mas a mulher será dotada de intuição, que é uma sutil capacidade de adivinhar certas coisas; como primeira mulher já sou assim, algo me diz que este menino terá vida curta, será vítima de alguma maldade, não sei de quem. A palavra abel significa vapor ou fôlego, duas coisas de tempo curto de vida, de pouca duração. Mesmo assim, e como todos nós entraremos para a história, que seu nome seja Abel. –Assim seja Evita!
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12 de mar de 2009

Isto é o amor?

Sem mais e nem menos

–Adão , estou com um problema sério! –Pode dizer Eva, sou todo ouvidos. –Você tem todos os ouvidos? Como assim? –Querida, é uma maneira de dizer que criei agora, faz parte do criacionismo. Desculpa de vez em quando eu estar te confundindo, acho que estou arriscado a ser eternamente assim. –É, penso que serei o contrário Adão, os oráculos dizem que mesmo romântica serei mais objetiva. –Oráculos, o que é isto? –Te peguei, é uma invenção minha para predizer o futuro com a precisão de uma máquina de calcular. Calcular o dinheiro que se pode ganhar vendendo ilusões acerca do porvir de qualquer pessoa. –Tudo bem, Bem! Que história é essa de ser romântica? Tem a ver com dinheiro? Queria entender! –Você nunca vai entender que o romantismo é uma vivência especial em que uma pessoa vive um pouco acima da realidade, anda pela poesia, gosta de fantasias, se acha acima do bem e do mal, é uma criatura heróica que quer o mundo em rosa e azul, lírico, piegas, musical. E importante, é tudo fundamentado no amor, um sentimento que não nasceu com a gente, que aparece com o tempo. Veja que você não teve mãe, não foi parido, não mamou, não usou fraldas, não aprendeu a falar, não sabe o que é uma creche, jardim de infância, não teve infância nem adolescência; quem te amou para você entender? Nasceu pronto e acabado, de cabeça oca como eu. –Pérai, como sabe tudo isto? –Está escrito nas entrelinhas! –Tudo bem, e este tal de amor? –Ah, sim, o amor veio surgindo depois que descobrimos, eu e as minhas descendentes, com a sua ajuda, é claro, que filhote não vem de pedras achadas a esmo, que vem de dentro do corpo das aves, como aquela que você testemunhou. Elas cospem o ovo, dão comida ao filhote e depois é cada um por si. Sei que há uma diferença comigo. Assim como os mamíferos que botam a cria para fora envolvida naquele saco, o mesmo aconteceu “ni mim”. –É verdade Eva! –Adão, sem a casca o filhote saiu incompleto, não sabia comer e beber sozinho, dependeu de mim e de você para sobreviver, mais de mim por causa do leite. –É, mas quem traz comida para você sou eu que fiz roça, mato animais e ainda trago frutas... –Mas quem cozinha sou eu que esquento a barriga no fogão, digo na beira da fogueira, com o Caim agarrado nas minhas pernas, cheio de poeira no corpo e arranhando a minha pele. É aí que quero chegar. Tudo isto que passo com ele não me sobe mais à cabeça, sinto-me feliz por estar compartilhando com seu crescimento e o fato de estar carregando na barriga um outro cainzinho me deixa mais eufórica, radiante, não caibo mais em mim de tanta satisfação. Isto é o amor! Estou radiante por saber que depende só de mim botar mais um filho no mundo. Entendeu? –Sim entendi, apesar deste tal de amor não estar em na minha cabeça e muito feliz porque de mim não sai estas crias. Basta a trabalheira para comer e dar de comer com o suor do meu corpo. –E você acha que carregar o peso na barriga não cansa? Com Caim, eu não sabia de nada. Agora sei que tem gente aqui, cada dia fica maior, mais pesado e além disto ainda tem umas pancadas que dá lá dentro que não sei se é cabeçada, soco ou ponta pé. Mas suporto tudo isto em nome do amor, viu? diria a Loba. Com a experiência do outro agora posso ficar tranquila, primeiro porque sei que não é caca, bexiga cheia ou um tumor. Trata-se do meu filho, meu futuro adorado filho que vai me dar muitas alegrias como Caim. Importante, Caim está com treze luas de idade (364 dias), andando sozinho igual a gente, comendo comida da mata, bichinhos e frutas caídas. E chama você de Dam, eu de Va, pede uva, pêla, aga, mamá, mé, omiga, balata e mais um monte de coisas. Tudo que ensinei pois você passa o dia inteiro longe. Outro dia ele pegou uma rata deu uma mordida no rabo dela e a bicha não é que mordeu também o narizinho dele? Xiii, soltou o bicho, gritou feito um desesperado. Me descabelei, você longe, viva alma por aqui. Quase o levei ao pronto socorro. Desespero, não é? Caiu a ficha e vi que não tem nada disto ainda. Pô, não vejo a hora de você se aposentar. Mas primeiro vai ter que se mexer para se “encostar no INSS” e arranjar uns trocados. É pouco mas ajudará muito. Aí, com você desempregado, pode fazer uns bicos... com a falta de estrutura do governo na vigilância eu me matriculo no Bolsa Família. Já imaginou cara?

27 de fev de 2009

Sem mais e sem menos

Di amantes

–Eva, outro dia você falou que ia passar a me chamar de Bem, e o tem feito, e eu vou tratar você de Bema ou Benha? –Por favor, da mesma forma... bem! Olha, Adão, você vem me passando a perna. Falei de procurar as pedras redondas nas montanhas ou nas cachoeiras. Se é coisa para comprar, é só ver quem vende e vamos trocar com o que você tira na roça; não temos dinheiro e nem sabemos imprimi-lo. –Minha mulher, você quer adiantar-se tanto no tempo... Convenhamos, você não bebeu vinho ou cerveja, porque não foram inventados, não tem psicose de parto, que só pode ocorrer depois de parir. É um delírio da sua cabecinha por falta de companhia feminina, não é? Não tem com quem tricotar, assunto cri-cri, não pode cuidar da vida alheia, assistir novelas, BBB, baixar músicas em MP3, enfim, enquanto dou duro, coitadinha, reconheço, você está com uma vida insípida, mesmo. –E você é o bonzão? –Bem, venha para a realidade, vou lhe fazer uma revelação, uma coisa que descobri por puro acaso, aliás o acaso, me parece, será o nosso mestre por toda nossa vida. Há duas luas estava numa pradaria perto do Éden procurando abóboras quando avistei uma ave, grande, mais ou menos da minha altura, um pouco mais alta. Corpo volumoso, porém esbelto, sarado, coberto de penas, engraçado, o pescoço comprido e pelado, as pernas com as coxas grossas, e peladonas, cabeça de olhos muito vivos, lindona. Não me olhe irada! Podia ser uma mulher, mas não era, apenas uma ave, não estou descrevendo uma concorrente, não li os Escritos mas sei que jamais terá uma sombra a não ser outras evas. Não se deixe envolver por ciúmes, ainda não chegou o tempo. Voltando ao que dizia; ela ficou andando em círculos, percebi que estava desconfiada comigo e ciscava como que procurando comida. Repetiu várias vezes. Resolvi me afastar e de vez em quando olhava para trás; ela deve enxergar pouco porque rapidinho sentou. Podia estar cansada e deixei para lá. Rodei bastante e nada de abóboras, descansei um pouco. Voltei a andar pra lá, andar para cá e depois de algum tempo não avistava a cabeça e o seu pescoção. –O meu? –Não querida, o dela! O seu é lindo! Maravilhoso, o mais bonito dentre todos os animais. –Que isso Adão, me chamando de animal? Te esconjuro! –Meu benzinho, eu você, Caim e o cainzinho que vai nascer, somos todos animais, por mais que digam que não. A ciência vai provar isto. Bem, o passarinhão estava sentado num buraco rasinho e quando cheguei perto vi que estava saindo dele, no lugar que a gente faz caca, uma pedra enorme, lisa e meio gosmenta, arredondada e branca. –Adão, criatura, então a pedra sai de dentro deles, e eu achando que era coisa de fora, que era só procurar e achar ou comprar, é mole? –Eva, um sol depois vi que o bicho tinha cuspido outra pedra arredondada. Passaram uma lua, quatro sois e eu voltando ao local. No quinto sol pude ver uma pedra rachar e dela sair um filhote. Grande que nem um marreco. Esperei até a outra pedra começar a quebrar. Cheguei mais perto e vi que ela era picada... –Por uma serpente? –Não Eva... pelo bicho lá de dentro que veio se juntar ao outro que estava seco e andando em volta. A verdade é que a curiosidade matou o gato! Distraido estava, distraído fiquei! Pra quê? Levei uma bicada na cabeça que doeu muito, pensei que era aquele anjo que nos expulsou do Paraiso, ah, que saudade! Mas na verdade se tratava do dono dos filhotes, que desgraçado! Deve ter achado que ia comê-lo, o que eu não ia fazer se bem que me deu muita vontade. Devia ser muito macio... –O que você fez, querido? –Disparei a correr e o grandalhão atrás de mim. Parecia uma corrida de Fórmula Um. Pega num pega, vi que estava perdendo velocidade, joguei-me debaixo de um espinheiro e me safei. Fiquei resfolegando um bom tempo, vi a morte de perto. Eva, enquanto esperava pensei em dar um nome a essas pedras, que são fabricadas dentro do bicho, não se acha nem se compra, veja, a Ave deu a vida a um filhote, Eva é mãe da vida, Ivo é nome de gente, uva, é nome de fruta e a pedra ovóide que transporta a vida parece com quê? –Com um ovo! –Brilhante, querida! –Vivaa! Mereço, né? Me dá! Quero um, para botar no meu colar!

24 de fev de 2009

Sem mais e nem menos

Quero ter filhotes como os passarinhos

-Eva, seus mamás estão crescendo novamente, já estão de bom tamanho, sua barriga segue o mesmo caminho. Sabemos o que vai sair deles, o leite e dela mais um Caim, porque é repetição. Não há como errar, já sou expert e tenho observado por aí que todos os bichos são assim, enchem a barriga depois botam para fora suas crias. –É sabidão, com certeza vem outro. E você conversou com algum bicho para saber o que eles fazem para isto acontecer; será que é alguma coisa especial que comem, tipo... plantas, bichinhos, terra, pedrinhas? -Eva, os bichos falam, mas não entendo nadica de nada de pitibiriba; escuto com muita atenção mas não tem jeito, e depois, falam gritando, de longe, muitos falam ao mesmo tempo. Entendimento com eles acho que só quando houver um software de tradução e interpretação. –Esquece, Adão, outro dia você falou que todos os bichos cospem suas crias, mas você está errado, uns fazem isto, mas outros não. Alguns já vimos cuspindo, mas e outros que não vimos? –Eu? –É, você conhece outra pessoa além de você e eu? –Conheço o Caim. –E Caim com este “tamainho” é uma pessoa? –É verdade Eva, não é uma pessoa, o que é então? –Esquece! Voltando à vaca fria, os pássaros não cospem filhotes, eles catam bolotas de pedras com aquela gosma amarela que a gente come, e aí aparecem as crias. A gente podia ver se arranjava umas pedras também para fazer a mesma coisa. Detesto carregar caim na barriga. Dá muito chute, é muito mal educado, revira sem aviso, é muito difícil levar um estrupício deste dentro do corpo para lá e para cá, e depois ter que cuspi-lo com tantas dores, meter os dentes naquela tripa catinguenta para cortar. Pior, também, dar o tal de leite para o filhote beber, depois sair catando bichinhos para dar de comer. Isto não é vida! Será que será minha sina? –Eva, não entendo nada disto. Eu passo. Ando comendo o pão que o diabo amassou. As chuvas diminuíram, a terra está mais dura, tenho que lavrar, arar e plantar... ando até fazendo irrigação artificial, mas isso saliniza a terra e as plantas vão ficando atrofiadas e rendem menos. Consegui juntar uma manada de trezentos camelos; eles estufam as corcovas com água e vomitam na lavoura. Com isto estou colhendo trigo, arroz, feijões e uvas. –É Adão, será que o aquecimento global está a caminho? Nós três estamos produzindo desmatamento, queimando matas, fazendo fogueiras para cozinhar, para nos aquecer nos dias frios. Tenho medo, isto pode acabar mal. –Tadinho de Caim Eva, não põem ele diretamente nisto, é um inocente. –Tá bem, tiro ele. –Eva, mudaremos para terras virgens, férteis. A população está aumentando cada vez mais. Olha, no início era só eu, com você dobrou, com Caim triplicou e mais esse outro na sua barriga irá quadruplicar a população da Terra. Palavra de ordem, chispar daqui! –Sim Adão, já fomos expulsos do Éden, acabamos com as matas para fazer as lavouras. A fonte minguou, o riacho secou, a estiagem não melhora, meu medo aumentando, não é bom também iniciar uma blogagem coletiva protestando contra este estado de coisas? –Contra nós mesmos? Querida, pelo que vejo, as blogagens coletivas fazem sucesso relativo entre os que participam, não mudam nada do que abordam por mais que protestem, não são lidos pelos donos do poder, trazem um sucesso meteórico para o líder e pronto! Eva, você não se acha impressionável além da conta? Seus afazeres domésticos tiraram sua visão do mundo. Ainda não notou que por aqui passa uma manada imensa de antílopes magros que nem bacalhau e depois de várias luas retornam gordinhos, rechonchudos, tudo de cara alegre? –É, estou me lembrando, e o que tem isto? –Eva, naquele dia em que trouxe aquele filhote de macaco para a gente comer eu subi naquela serra alta e olhei para onde nasce o sol. Tem muito verde pra lá, o que significa matas, florestas e pastos que fornecem as plantas que os chifrudos comem. Apesar de serem muitos não destroem a vegetação, a produção de oxigênio é imensa e a absorção de Co2 também; não precisamos nos preocupar tanto, entrar em histeria, há muito espaço para a expansão da nossa lavoura. E quando a nova área for ocupada e esgotar-se a gente vai em frente. –Sim, meu homem, quando vamos? – Eva, é um assunto que nem tem que pensar muito, é arrumar os trapos e botar o pé na estrada, quero dizer, trilha. Este negócio de sermos os primeiros da humanidade dos homens é uma desgraça. – Alto lá! Eu sou da humanidade das mulheres! –Baixa o dedo e não grita! Vai começar mais uma discussão? Aqui e agora e doravante será a dona encrenca; vamos decidir o seguinte: a partir de hoje a humanidade é uma só humanidade e nela entramos eu, você e Caim, combinado? –Tudo bem Adão, e o outro Caim? –Minha nossa, vamos esperar que seja cuspido. Ele então entra na contagem do IBGE. . –Concordo Adão. Posso te chamar de Bem? Bem, já te falei que quero ter filhos como os pássaros; vamos descobrir onde eles arranjam as pedras redondas com o filhotinho dentro?

22 de fev de 2009

Sem mais e sem menos


Aiiiii!... Esta praga morde

-Caim, vai ser o nome deste adãozinho, viu, ele é sua cara. -Minha cara! Nem bigode nem barba ele tem, e é muito pequeno. Tamanho daquele cachorro que saiu gritando o nome dele. Como é que ele sabia? -Minha nossa, o cão não sabia, eu é que aproveitei o nome que ele estava gritando. -E por que está chorando tanto este menino Eva, não é melhor botá-lo longe da gente, ali naquele buraco? -Você quer enterrá-lo? -Não, quando ele parar de chorar você o pega de novo. -Não meu caro bobinho, ele está com fome, me dá aquela formigona ali... pega mais enquanto ele come essa. Xiiii, ela picou o beicinho dele... quer não, está cuspindo... piorou o choro, pega aquele besouro... também não quer, nem a lagarta, minha nossa, nem o ovinho quebrado... -Por que não dá frutinhas para essa criança, ou aquelas flores ali... -Também não quer, ele é um chato, nem estas folhas... também recusa, como vai ser? -Eva, e esta água branca que está escorrendo das suas barriguinhas? Dá para ele. -É mesmo Adão, como não pensei nisto antes, as macacas ficam com suas crias agarradas nos pelos, com a cabeça encostada nas barriguinhas, deixa-me me encostá-lo nelas, vou fazer igual, primeiro colocar aqui. Aiiii!... Esta praga morde. Se morder de novo leva um tapa! -Mesmo assim... viu que maravilha? -Você teve uma grande idéia, querido. Parou de chorar e está esvaziando uma, agora vamos para a outra, nem acredito que isto é que é a comida dele. Sabe, vou te contar uma coisa, depois que nasceu, pensei que ia sair um filhote de cada uma delas. Só agora percebo que elas são duas fabriquinhas... -Eva, eu pensei que era daquelas bolotas do camelo. Vamos chamar isto de leite? -É podemos, e qual vai ser o nome destas bolas do leite?-Podemos colocar nelas o nome de leiteria? -Horrível, o bichinho não está comendo, não está bebendo, ele chupa, mama... pronto!... isto aqui é o mamá ou depois arranjamos um outro nome
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-Adão, ando muito preocupada, oito luas já se passaram e este menino só quer saber do tal leite, mama sem parar, haja peito, começo a me esgotar, não quer andar igual à gente; ele é muito teimoso, só gosta de se arrastar nesta poeira, rola para todo lado, é o mais sujo dos bichos, não sabe lamber-se, eu também não vou fazer esta besteira, e não sei se ele pode ser molhado. -Oh Eva, toda vez que chove a gente se molha, acaba sendo um banho, você quer dizer lavá-lo sem esperar a chuva? A gente toma, porque ele não poderia? Assim ele ficaria limpinho e não faria a lama que faz no seu mamá quando mistura este tal de leite com terra; fica tudo grudado ainda bem que a chuva tira.
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-Adão, mais duas luas já se passaram e Caim já não anda tanto de quatro, já se levanta agarrando nas nossas pernas, né? Veja que lindo! Começa a andar e cai, levanta e cai, um dia ele ainda aprende. Olha, ele fica de braços abertos, chora menos, dá sorrisos largos, já fala gá, gagá, ugá, uga, você sabe o que quer dizer? -Sei não Eva! -Menino, ele está muito espertinho, nem te falei, já come baratinhas, lesmas, besourinhos e mariposas; ovinhos, calanguinhos, ah, filhotinhos de passarinhos só que eu tenho de mastigar bem, fazer uma papinha e dar direto da minha boca para a dele. -Que nojo Eva! -Tem mais Adão, esta dieta prende muito o intestino dele, temos que ter mais coisas, quero que você traga mato também, folhas e frutas, ele tem de imitar os filhotes das macacas. Você tem que observar a comida das crias dos chimpanzés, dos babuínos e trazer igual. Neste planeta imenso não tem ninguém para nos orientar, é olhar e fazer igual. Bom seria se pudéssemos copiar e colar! -Agora quando as pedrinhas brancas que estão crescendo dentro da "boca dele" estiverem maiores ele é que vai mastigar; maiores iguais às nossas poderá então cortar e esmagar, aí sim, ele vai poder comer sozinho, poderá comer igual a nós. -Adão, você não sabia que toda volta de lua escorria um caldo vermelho do lugar que faço xixi, o rachadim, né? É eu nunca deixei você ver. Na lua passada não veio, nesta também... Não escorre mais nada, a fonte secou. E não é que minha barriga está aumentando de novo? Porque parou, parou por quê? É um problema muito difícil de resolver. Somos o primeiro casal da Terra, sem qualquer antepassado, irmãos ou cunhados, não tem viva almaa quem perguntar qualquer coisa. Será que entra algum bichinho em mim quando estou dormindo? Pela boca nãoé porque mastigo todos, lá em baixo, de dia também não é, porque não vejo e por lá não mastigo

18 de fev de 2009

Sem mais e nem menos

No mato sem cachorro

-Adão, estamos no mato sem cachorro! -O jeito é arranjar um com algum amigo ou comprar numa petshop. -Falo grosso modo, é um provérbio meu caro. Quero dizer que estamos sós, sem casa, perdemos as frutas do Paraíso, sem alguém para ajudar, sogros e pais, somos sem terra e sem teto. Como entrar no MST? Reforma agrária, nem pensar, está a milênios da gente. Você tem que se virar, no início de civilização é o homem que vai dar duro, nos dois sentidos, para sustentar a família. Esqueceu da reprimenda no despejo? -Não me esqueci, e estou por aqui com você, afinal, se não fosse pela sua desobediência, estaríamos no bem bom, desfrutando as delícias que tínhamos. -Eu não tive culpa de coisa alguma, a responsável pela nossa desdita foi a serpente, aquela sem vergonha, asquerosa, mentirosa, traiçoeira... -Desdita, o que é isto? -Vá para o inferno! Não vá, ele é aqui mesmo, trata de pegar uma enxada e escolher um lugar para fazer uma roça, plantar para colher. -Plantar o quê? -Sei lá, não tenho a mínima idéia. -Vamos nos matricular no Bolsa Família! Lá tem cesta básica; eu sei que é pouco, mas vamos aguentando até chegar à colheita; você pode plantar trigo e com ele farei pães, bolinhos, pizzas... Com cevada, a cerveja. Vamos colher mel de abelhas, tâmaras, maná, e assim melhoraremos o padrão da cesta básica. Vou te contar, o que tem de pior vem nela. -Pô, minha cara! Já está esnobando, se continuar assim ninguém te aguentará, suas amigas vão querer distância de você. -Não haverá distância, não há amigas, existimos nós, e por falar nisso está na hora de você me conhecer. E não te conheço? Fomos apresentados pelo oleiro-carpinteiro-marceneiro-neuro-linguista, há poucas semanas. -Minha nossa, não estou falando de apresentação, isto é coisa do passado, falo... falo, como vou dizer, fazer amor, ou se quiser mais diretamente, é transar. -O que é transar, fazer amor? -Minha nossa, vou passar a vida inteira te dando instruções, guiando, exigindo, adulando, vê se te manca, cara. -Tudo bem, mas pode ser mais gentil, insinuante, fazer beicinho, um olhar provocador? Tudo é novo, reconheço. -Cara, você tem um irmão, um tio, um amigo, algum concorrente? Não! Então és tu mesmo. Não vai me conhecer aqui à luz do dia nem esperar chegar a noite. Vamos para aquela caverna.
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-Foi bom para você, Adão? - Não sei, só se repetir para poder comparar. -Você foi muito desajeitado, não soube como começar, não me um beijo sequer, tentei lhe beijar e só via você dando tapas em si mesmo. Que tara! -Tara nada, picada de mosquito é mole? Na posição que fiquei recebi os carapanãs e até o mosquito da dengue. Aquilo que raspou da sua barriga não era caraca, eram mosquitos que morreram imprensados no pega para capar.
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-Adão, há vários dias que me sinto enjoada, ando com muita fome, sinto uma vontade louca de chupar sorvete de chocolate, quero que você saia para buscar para mim. -A esta hora da noite? Que coisa é essa? Isto não existe! -Não me interessa se existe ou não, quero e pronto! Estou com desejo e você não pode me contrariar, se não alguma coisa me diz que vai dar tudo errado. -Gente, que maluquice é esta? O que pode dar errado neste fim de mundo? -Sei não, mas que vai dar errado vai. Quem me diz é minha intuição. -Sua o quê? Intuição? -Deixa pra lá, vai, vai quero o sorvete. -Não vou buscar nada! Se vira.
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-Eva, você está comendo demais, sua barriga cresceu muito nestas oito luas, haja filhotes de macaco, passarinhos, ovos, nada te escapa da boca, até para mim começa a faltar comida. - Não fala, estou sentindo umas dores esquisitas, vou botar tudo para fora agora. Vou fazer cocô, tenho que ficar de cócoras, nossa, é muita dor, chamam isto de contração, Mas ao mesmo tempo é uma vontade enorme de fazer um xixizão... ui, ai, ai, ui, uau. Parece um terremoto, o mundo vai acabar, vou desabar, estou vendo tudo preto, ai, ai ui, ui, ai, me segura, ai, ui, não... chega para lá, sai daí... aiiiiiiiiiiiii... -Minha nossa... o que é isto? Não é nada do que você falou. É outra coisa! -Prestenção, isto é uma cria como outra qualquer. Ei, ele está ficando roxo e não falou nada ainda... está amarrado com esta tripa. Me ajuda, dá aqui, tenho que cortar o cordão com os dentes. -Você não pode fazer isto! -Como não posso? O instinto está mandando! Pronto! -Buaaaaaaaaa... -Que legal, ele fala! -Falando nada, está chorando! -Este é o nosso filho. -Meu não, é só seu, saiu de você. Quando sair um de mim, aí será meu filho. -Tá bem! Um dia você vai parir! Vamos ver! Bem ele precisa de um nome. Nisto um cão que havia levado uma pedrada por tentar comer a placenta saiu ganindo: -Caim, caim, caim...

16 de fev de 2009

Sem mais e nem menos


Ordem de despejo

O oleiro-carpinteiro-marceneiro-neuro-linguista voltou-se para Adão: -Ordenei que não comesses o fruto da Árvore do Saber, desobedecestes, destes ouvido à tua mulher e comestes. Por tua causa a Terra estará ferrada, será maldita, dela tirarás teu sustento e o dela, vais arar plantar e enfrentar sol, tempestades, secas e enchentes, ah, para botar pilha em você, virão dilúvio, delúbio, Valério, o carequinha, petralhas, Daniel Dantas, vereadores, deputados e senadores - todos explorarão sua descendência sem condescendência. Comerás o pão, biscoitos, roscas, balas, sorvetes, um simples chester, através do suor de seu rosto. Serão explorados por faraós, imperadores romanos, reis ingleses, presidentes americanos, franceses, holandeses, multinacionais de alimentos e deles usarás alimentos transgênicos, processados, como salsichas, cheios de conservantes - venenos vários - que lhes produzirão toda sorte de doenças, incluindo o câncer. Inventarão e colocarão no saco das maldades as possíveis e as impossíveis e também as inimagináveis... Todos serão afetados pelos séculos e séculos. "-Isto, pensou o oleiro-carpinteiro-marceneiro-neuro-linguista, está me cheirando a scripts de cinema catástrofe". -Adão, tu fostes feito de pó e claro, te tornarás pó novamente, o qual não poderá ser usado para fabricar coisa alguma. Quando fores cremado tuas cinzas não poderão ser usadas para fazer sabão. Avise a teus descendentes! Tua mulher, Virago, porque originada de ti, em outras histórias foi chamada de Eva - e o foi porque o narrador andou "voando", não pesquisou direito, comeu mosca - não poderá sair com ele, então te facultarei que a chame de qualquer coisa. -Senhor, posso manter e chamá-la de Eva? -Quer me cansar? -Porque insistes neste nome esquisito, não conhece um melhor, que tenha mais sonoridade, Madonna, Maryllin, Marisa, Yoko Ono? -Esta palavra, senhor, me veio à cabeça porque é do hebraico hav vah, significa que será mãe de todos os viventes. Imagine, com todo o respeito, ter que consertar o nome dela em todas publicações. Só tenho uma dúvida, mestre, o senhor nos deixará sobreviver? -Sejamos práticos, não haverá mais conversas entre nós, estou expulsando-os aqui e agora deste lugar; tomem estas vestimentas de pele de cervo, prêt-à-porter, que mandei comprar ali na C&A e desapareçam rápido e nem olhem pra trás. Saem da liberdade do Paraíso para o mundo que mais será do que uma prisão. Não esperem por um habeas corpus, salvo conduto ou mandado de segurança. Pelo contrário, terão que dar tratos às bolas para corromper, fraudar, criar contos do vigário, mentir, enganar, toda uma série de virtudes que lhes permitirão avançar na vida para acumular toda sorte de ouro, prata, pedras preciosas, bugigangas, a qualquer preço, passando por cima de parentes, amigos e estranhos, com todo o egoísmo possível e depois cair mortos e deixar tudo para trás. Quando morrerem... é, perderam a imortalidade, nada levarão para o outro mundo, nadica de nada... seus bens serão disputados como carniça pelos descendentes. Parem de tremer e se mandem! -Senhor, não pode dar um jeitinho? -O quêeee? Pensas que está no Brasil, na terra em que todos querem levar vantagem? Lá onde se criam dificuldades para venderem facilidades? Onde se legisla em causa própria? Onde sentenças judiciais são ditadas nas altas cortes pelos advogados de defesa dos réus? Olha não sou senador nem deputado, governador ou prefeito, muito menos vereador ou suplente de qualquer coisa. Vão em frente! O casal não teve saída a não ser obedecer, principalmente quando viram uma pessoa com asas enormes e como um pássaro, voando, chegar nas proximidades descendo a uns cinco metros e pondo-se em guarda. Seus olhos ferozes fitaram os companheiros. Carregava aquele corpulento anjo um sabre de luz, cintilante e versátil, desses que foram usados em Guerra nas Estrelas, por Luke Sky Walker. Como demonstração o querubim apertou um dos botões e a arma a laser disparou raios de três cores simultaneamente derretendo uma pequena rocha. No seu lugar a poça de lama quente e rubra que se formou esfriou e se mostrou como uma peça laminar granítica. Adão fez o sinal da cruz automaticamente, primeiro com a mão direita e depois com a esquerda (atendendo aos canhotos), como as pessoas atualmente na hora do aperto se persignam - passaria muitos dias abobalhado sem saber de onde havia tirado aqueles movimentos e não achou ninguém até hoje para explicar-lhe tal ato. A Árvore do Saber tinha ficado para trás. Dali em diante ele e sua consorte, os dois sem sorte, mais toda sua descendência sem a ciência, teriam que descobrir tudo sozinhos.

15 de fev de 2009

SEm mais e sem menos



O pomo da discórdia

-Cof! Cof! Cof! -Que é isto Adão? Nunca ouvi esta palavra... o que quer dizer? E estes olhos esbugalhados? Você está ficando todo roxo, vai ser o meu adorável roxinho daqui para a frente? Vivaaaaa! Tudo no início é precário, depois vêm os aperfeiçoamentos. Adão ainda não tinha aquilo roxo como bradou milhares de anos depois, na Ilha de Vera Cruz, um tal Sr. Collor. -Cof! Cof! COF! COF! Cof, cof, coof, coooff, coooffff... coooof... Pimba! e "esticou as canelas", a primeira do mundo - nesta época não havia conotação com a morte, não se assustem ele sobreviverá. -Ah, não sei o que fazer, não temos manual de uso, a amiga rastejante escafedeu-se, será esta a palavra certa? Adãozinho queridinho, cospe esta coisa da sua güela, fala comigo, fala, ah, tô sózinha no meio do mato, não tenho mamãe, nem sogrinha pra chamar, nenhuma cunhada... faaaaalaaa! e ficou Eva repetindo sem parar; seu vocabulário e raciocínio eram de uma criança de 13 anos, 7 meses e 13 dias. -Uga, uga, ga, gaga, uo, uau, sua pele arroxeada, depois azulada, passa a amarelo-laranja e fica vermelha; pletórico, murmura algo ininteligível e fica de cócoras; volta à sua cor natural, qual? Adão põe-se de pé, mãos em concha na boca e serelepe grita aaôôôôôaooôôaoaôôooo... mim Tarzan, o rei da floresta. Eva com um raciocínio de 17 anos disse-lhe que deixasse de ser besta, que ele não era rei de lugar algum, que ali não era mata e sim um jardim, o Paraíso, mas que estava achando-o mais bonito com aquela corcovinha no pescoço e lindo e maravilhoso com a voz máscula que ele estava usando. -Não estou usando voz alguma, ela é minha, você não vê que é por causa desta entalação da fruta que me deu? Você não ficou assim, estará para sempre aleijada, rá, cof, cof, rá, rá... Eva pensando como uma mulher de 23 anos diz que ela não pode ter voz grossa, pois é coisa de macho. Sua voz tem que ser delicada, maviosa, como a voz dos anjos, - você sabe, os anjos não tem sexo nem nexo e entenda que não são afetados, termina. E a uma só voz exclamaram: isto será conhecido como o pomo de Adão !!!!!!! Porque pomo? pergunta Eva. -Peraí, aqui tem um verbete na folha da Árvore do Saber, diz Adão e lhe responde que a palavra significa caroço e que pelo que havia lido numa revista rural era semente de maçã que agora pertencia ao corpo dele para todo o sempre. -Ah, não, acontece que a semente da maçã é muito pequena e renderia no máximo umas verrugas nas cordas vocais. Sua voz seria horrível, você soltaria roncos e grunhidos! Foram folhear uma enciclopédia e descobriram que na verdade o engasgo se dera com o "pseudofruto formado pelo ovário" e não com o receptáculo floral, carnoso e muito desenvolvido, que é a porção comestível de frutos como ex., a maçã, que desceu para o seu destino. -Adão, eu não tinha reparado o seu balancim como o vejo agora.
-É, eu também não tinha reparado seu rachadim com estes olhos cobiçosos. -Cobiçosos, será que é a mesma coisa que estou sentindo, bem, não pode ser a mesma coisa, afinal somos diferentes e não pode haver sentimentos iguais. -Mas tem que ser muito parecidos se não estaríamos cada um andando para lados contrários. Não estaria ocorrendo essa atração mútua. Ou você não sente realmente o que penso. Está com o pensamento na cobra? -Cê besta, um bicho frio daquele, com a língua partida no meio, lembra que ela falava meio fanho, pô, pensando em discutir a relação logo agora? -Tudo bem, deixemos para lá, vamos até ao lago azul? -Vamos, mas antes temos que cobrir nossas vergonhas, não fica bem andarmos assim. Pega essa folha de parreira e coloca aí, ah você precisa de duas e grandes. E saíram lado a lado de mãos dadas, passeando os acessórios. Eram 14 e 27 minutos, hora de Greenwich, sol bem alto. -Adãoooonnn! -Eeevaa!! ressoa a voz do oleiro-carpinteiro-marceneiro-neuro-lingüista, onde estão vocês? Aquiiii... -Má tarde! -Boa tarde, diz o mancebo. A manceba ecoa. -Sua voz está grossa meu caro, o que houve, está resfriado? -Argh, é que... sabe... bem... fala para ele Eva... -Não é necessário, já sei o que aconteceu. Estão sentindo frio e por isso estão usando estes cobertores? -Não, é que estamos pelados, nus. -NUUUUUUUSSSSS, e como sabem disto? -Foi a Eva que me falou.
-EVAAA... -Senhor, foi a serpente que me enganou. -Cadê a serpente? -Acho que o gato comeu. -Cadê o gato? -Foi pro mato. -Cadê o mato? -Acho que o fogo queimou. -Cadê o fogo? -A água apagou. -Cadê a água? -O Boi bebeu. -Cadê o boi? -Amassando o trigo. -Cadê o trigo?
-A galinha espalhou. -Cadê a galinha? -Botando ovo. -Cadê o ovo? -O padre bebeu. -Páara, que não existe padre, começou o jogo de empurra? Trombetas ecoaram o alarido mais estrondoso que poderia ser ouvido por aquelas bandas -Quero aquele ser abjeto aqui imediatamente! E foi achada e trazida segura pelos braços a esperneante serpente, escamas eriçadas, a língua murcha, caída para o lado esquerdo, os olhos tão espremidos e a cauda chocalhando com seus guizos, uma vergonha. -Sua isso, sua aquilo, isto e mais aquil'outro... Tu traístes os ideais da bondade, passastes a perna na nobreza, serás doravante maldita entre animais e bestas; ficarás sem pernas e braços, passa-me os membros já, e andarás esfregando a barriga no chão e comerás terra todos os dias da tua vida. Doravante seus descendentes pisarão em tua cabeça e tu tentarás morder seus calcanhares, digo, picarás. Entenda o que estou falando! Nada a ver com Aquiles. -Senhor, tende miseri... -Cala-te para sempre! Entrega-me tuas cordas vocais, rápido! Não sei onde estou que não te transformo em minhoca de uma vez por todas!

14 de fev de 2009

Nem mais e nem menos

Plantando uma costela

Adão dorme profundamente e já ronca porque não pode ficar de lado ou de bruços, principalmente porque está pelado até os dentes. O oleiro está a seu lado, tem todo o respeito por sua criatura, e afunda-lhe uma adaga de cristal puro de rocha no peito. Indolor, a primeira cirurgia da história resulta na doação involuntária de uma costela das vinte e seis que o mancebo possuía, não me perguntem por quê; a outra talvez tenha sido usada para fazer uma amante, mas sem possibilidades de confirmação. Do seu peito a costela inteira é cravada no barro meio mole e a imensa ferida é suturada. Foi fincar no chão e começaram a crescer raízes e galhos, logo as folhas, as flores, e dois minutos após já dava várias espécies de frutas, por causa das células das variedades comidas por Adão. Dali, a jabuticaba, o coco, a melancia, maracujá, berinjela, chuchu, cereja, pêra teriam aproveitamento na feitura de Eva.Após usar-se iodo (e como ardeu!) a ferida foi tapada com vários band-aids. Da árvore, raízes foram transformadas em duas pernas. O oleiro, travestido de marceneiro, olhou para Adão e começou a copiá-lo; pensou no que colocar no meio das pernas. Olhou de novo. Coçou a cabeça. Então fez os joelhos que seriam a parte mais feia da criação. A madeira se fez carne e osso e foi sendo esticada feito massinha, preparando-se o tronco e os braços onde colocou um joelho pequeno, só que ao contrário e sem rótula (futuro local da dor de cotovelo).Do caule da árvore escorriam algumas gotas de sangue de onde retirava células-tronco indiferenciadas e ia dizendo fiat figadus, fiat sthomacus e completou todos os órgãos do interior da barriga e tórax. Chegou ao pescoço, e viu que lá para baixo faltava alguma coisa. O órgão sexual era igual ao de Adão. Viu que a espécie humana iria entrar em extinção muito rápido, a não ser que lhes desse vida eterna. Um lindo arco íris desenhou-se no céu. Olhou muito zangado para ele e disse-lhe que voltasse outro dia porque não estava chovendo. O que se sabe é que removeu a musculatura do pênis, inverteu a pele que virou mucosa de imediato, e prendeu-a no alto perto da bexiga. Puxou daqui, puxou dali, ajeitou e fez o prometido rachadim que no futuro iria receber trocentos apelidos, o que fazer? Achou lindo e perfeito. Ele estava cercado por orquídeas, várias Laelias, sem perceber se deixara influenciar. Faltou bater com um martelinho e dizer parla. Afinal um tapinha não dói.Assustou-se com as bolinhas solitárias, tristinhas; não se deu por achado e puxou-as para dentro. Ao pensar na futura reprodução mirou uma berinjela no galho da árvore da vida e foi por ai, colocou lá, seria a madre do corpo. A semente de Adão seria plantada na madre como nos outros animais; usou um espermatozóide de Adão que sonhava e sonhava e se mexia tanto que escapavam alguns. Tirou a cauda do bichinho, disse-lhe que daí em diante ele seria feminino, recebeu em troca uma cara feia, o que pouco adiantou. Eis sua morada e tacou-lhe dentro do testículo que se assanhou, mudou a forma para uma avelã e virou ovário. -Ei, como vou sair daqui? -A cada quatro luas você e suas descendentes descerão por dois túneis, as trompas, para encontrar com seu par. Olha, todos cegos irão aos milhões, adoidados, para ver se pelo menos um te acha. Caso contrário adoção poderá ser uma solução.O oleiro, que passou a marceneiro, que passou a cirurgião, voltou ao pescoço e fez o arcabouço da cabeça parecida com a do dorminhoco, não sem antes pensar no leite, e para sua produção pediu a um beija-flor míope para pegar um pouco de células de uma vaca. O passarinho errou e trouxe material de uma gazela. Sorte nossa! Se bem que no hemisfério norte... Chegou a hora dos apetrechos do rosto, por inferência, no captar do olhar de uma chimpanzé fazendo caras e bocas - deu a Eva lábios suculentos, mais vermelhos, a língua capaz de colear, voltear, tremeluzir, saracotear, enrolar e ser enrolada. Lamber crias, na acepção da palavra, só retórica.Despachou beija-flores auxiliares para outras missões com exigência de, para cada produto, aprovação da Anvisa, código de barras e nota fiscal. Para o nariz secreção de canídeos, pois ela teria que ter um faro extraordinário para perceber cheiro de cerveja, cigarro, charutos, odores de perfumes de concorrentes em roupas e cabelos, e poder aprontar quando seu macho vier a freqüentar outras ocas ou tocas. Da águia veio secreção lacrimal para visão acurada de perceber as futuras sacadas no e do mulherio nas praias, festas e igrejas. Secreção de ouvido de morcego para ter um que possa perceber qualquer sussurro extra em telefonemas, cochichos ao pé do ouvido de amigas, colegas de repartição, etc. Mistura de cera das orelhas das zebras, lobas e hienas o material para esta marca eterna - andará de orelha aparentemente murcha, mas sempre em pé. Acabou de colocar células de língua de arara, e o matraquear automático de Eva começou mesmo sem ter com quem tricotar. Foi posta a nocaute.Precisava de controle dentro do coco da cabeça para que pudesse andar rebolando, correr atrás de marido, carregar criança no colo e nele dar de mamar, voar, mergulhar, não se dar com sogras, pilotar fogão, blogar, botar a mão na cintura e rodar a baiana. Uma longa depressão mundial não permitira os upgrades nos já obsoletos chips de Adão que apesar de poucos dias estava bem rodado, mas eles haviam se integrado e transformado em quatro neurônios, percebidos através uma ressonância magnética.O agora neurocirurgião-lingüísta pensou muito e para não criar para Adão um concorrente eterno, o que não deu certo, mandou um e-mail cuja resposta veio com dez vezes a velocidade da luz - a atmosfera era limpíssima e sem tempestades magnéticas. Logo a seguir atravessando a barreira do tempo chegam dois esquilos muito engraçados que vieram do futuro, precisamente de um país que pelo seu desregramento de mercado quebrou literalmente. Eles vieram dos estúdios de Walt Disney, lindos e fofos, travessos, um mais safadinho que o outro, sempre se metendo em encrencas. Apresento aos leitores os adotados e famosos Tico e Teco.Adão acorda e se extasia. A melhor obra da natureza estava ali na sua frente. Embevecido, um tanto apatetado, aprofundou se na sua inocência absoluta. Revirou os olhos, babou um pouco, não tirava os olhos dos olhos de Eva. Ela deu o primeiro sorriso do mundo, esticou o braço e pegou sua mão. No chão, vários riscos de cálculos que pareciam uma planta de engenharia. Ele sentiu o calorzinho dela e sorriu. -Vamos brincar de pular amarelinha?Fitava-os de soslaio um bicho rastejante.

12 de fev de 2009

Sem mais e nem menos


Amassando barro

No sexto dia da criação o homem foi modelado em barro de alta qualidade e posto a cozer num alto forno da Vale do Rio Doce. Esfriando, ainda no secador, ficou parecido com estátuas gregas, se bem que estas, no futuro, seriam esculpidas em mármore. Imóvel. frio, aspecto tenso, olhos baços mirando o ontem. O oleiro continuou, todos os animais que criara, andavam, voavam ou nadavam. Tinha um que rastejava, hummm! A modelagem teve por base um macaco, mas queria-o à sua imagem e semelhança. Não o cobriria de uma vasta pelagem. Enquanto a estátua esfriava olhou-se numa poça de água cristalina, por incrível que pareça, não conhecia seu rosto. Voltou animado, providenciou um orifício no rosto do modelo e fez um boca-a-buraco. Insuflou-lhe todo o ar de seus pulmões. Pronto, criaram-se todos os órgãos para cima e para baixo. Primeiro os lábios, nariz e boca; logo os pulmões aconteceram. Estes precisavam de artérias e veias, um coração, fígado e etc. Tudo bem! Estava feito.
Achou que uma distinção deveria ser criada. Importou alguns chips, memórias e processadores em desuso do Paraguai e colocou-os dentro da cachola até então vazia - ainda hoje muitos permanecem anos e anos assim. Como os sistemas operacionais Windows ainda não tinham sido aperfeiçoados colocou o que havia à disposição, um DOS, Versão 01, sobra de uso em primatas mais modernos, como o chimpanzé. Penúltimo parafuso apertado, deu-lhe um eletro-choque daqueles que se usam para ressuscitar defuntos recentíssimos e teria dito-lhe, falam por aí, em bom latim: Ecce Homo ( Eis o homem). O autor, sem a ABIN, não conseguiu apurar verdadeiramente que língua o ceramista murmurou já que não houve como grampear o dito no principinho do princípio, exatamente o momento Alpha dos hominidas. A única humanidade existente era a dos macacos, já periclitante, tanto que não foi a frente até hoje. Esse homem ele o chamou Adão, do hebráico e quer dizer homem de terra vermelha, a cor do barro, a tal matéria prima do tio distante. Adão pôs-se de pé, respirou fundo, olhou para todos os lados e deu o primeiro passo: -Quem é você? -Mais respeito, sou teu senhor! –Mas não o teu feitor. -Sim, senhor, bateu continência, estou exultante, feliz por esta dádiva. A vida! Jamais iria saber em que tipo de magazine ou supermercado iria achá-la, e se achasse, como comprar. Não tenho dinheiro, cheque especial ou cartão de crédito. - Santa Ignorância! - a primeira delas - Adão, meu filho adotivo, é, revelo-te o mais cedo possível, tu não irás precisar de nada disto. Antes, olhe à sua volta, veja os rios e lagos com peixes e outros animais aquáticos, o ar, este negócio, desculpa-me, este gás não venenoso que te mantém vivo. Nele abundam, com todo respeito, aves, morcegos e insetos voadores, todos para teu deleite. Este líquido, o leite, por exemplo, é fornecido pelos mamíferos que te bastarão. Estes animais, assim como répteis, quelônios e outros que andam no chão e nas árvores serão tuas companhias para todos os folguedos que possas imaginar. Às árvores, arbustos, bromélias, ervas, capins e outras que serão reunidas em compêndios no futuro distante dei o nome de Paraíso... Repara, paradesha quer dizer em sânscrito, país supremo. E em avéstico, pairi-daeza (paradizo), é um jardim murado. Isto está na Wikipédia; mais tarde irá conhecê-la depois de criada a internet. Este jardim ou Éden, do acádico edinu significa “campo aberto”. –Humm, seus descendentes farão muita confusão, uma babel. É todo teu e nele nada precisará ser plantado e cultivado, as sementes serão espalhadas por todos que delas comerem as fruta ou os frutos. O vento, a chuva e o sol, serão os agricultores.-Ide e aproveitai do que melhor existe em seu derredor. E saiu Adão encantando-se com o que ouvia, roncos e sibilos, cacarejos e chilreios, balidos e trinados. A natureza o saudava. Tanta maravilha inundando seus sensores ópticos e óticos. E andou e andou, e muito. Nas andanças viu que animais corriam atrás uns dos outros. Depois paravam, e com alegria, um subia em cima do outro, sacolejava o corpo e descia. Logo se separavam. Um certo dia viu um casal de chimpanzé se atracando. Pensou que era briga. Chegou mais perto. Os dois não deram a mínima. Fizeram caretas para ele. Chegou mais perto. Excitou-se e disse: - Quero brincar também! Levou um catiripapo e saiu catando coquinhos. Pensou em reclamar com o homem do barro, mas ficou com vergonha. Ainda estava em riste. Inconsolável ficou murcho, deitou-se e adormeceu, muito triste. Não teve sonhos, não havia o que sonhar. Viu-se composto ao acordar. Demência? Ficou vai, não vai, , durante meio dia. Foi pedir clemência. -Senhor, estou sentindo-me só, o mais desolado dos homens, não estou lhe criticando, mas me vejo cotó (preterido no amor- a zoofilia estava muito distante ainda). Todos têm um parceiro para fazer aquilo de subir em cima, de balançar, sacudir, quero um meeiro, o senhor sabe... faz um para mim também? - Paciência Senhor! Adão, vou fazer sim, não pode ser igual; você tem um balancim e seu par será uma criatura com uma diferença principal pelo lado de fora, terá um “rachadim”. -O senhor quer me enganar? Ta falando mineirim... Ah, não, eu gosto é de mim, faz nele esta trombinha que sobe e desce. Pois eu gosto quando cresce, se tiver diferenças não quero levar bombinha, blá, blá, blá ... O agora padrasto perde a paciência e deixando de lado a ciência, imitando um futuro Rei diz: -POR QUÉ NO TE CALLAS? MASCA ESTA FOLHA AQUI! E TRATE DE DORMIR!
Dácio Jaegger
Uma semana de blogagem a respeito de adoção que começou a ser tramada por Geórgia Aergeter e Dácio Jaegger a partir do post “Se achamos que adoção é fácil continuemos lendo”, onde em seu comentário sugeriu que o assunto dava um blogagem. Não tinha seu e-mail e pedi a Meire que comunicou à Geórgia que entrou em contato e entre idas e vindas sugeri a ela um selo que no seu retângulo em alto relevo como se fora uma placa a cor vermelha representaria não o sangue azul dos reis e sim o sangue nobre das pessoas de bem, um símbolo de vitalidade e energia, pois estimula a formação do sangue e libera a adrenalina necessária para agüentar-se os trancos do processo de adoção legal.
O coração é o símbolo universal do amor incondicional, os dois maiores, vermelhos de envolvente paixão em torno de uma causa comum coroados por halos em formato de coração azulado representando a calma e a sobriedade, pois é redutor do egoísmo e atrai a harmonia. Confere jovialidade nas transações da adoção e teria efeito calmante nas tensões nervosas de que tanto necessita o adotado. Estes halos projetam sombras avermelhadas que irão amparar o coração menor, a criança ou adolescente, também gente, como qualquer ser humano, a imagem universal do Criador que a todos adotou sem distinção de qualquer espécie. Por fim o azul que envolve os corações que se amam é a nova aurora na vida da neo-família que representa o engrandecimento da raça humana. Engrandecida ficou a blogosfera com mais de uma centena de homens e mulheres que arregaçaram as mangas e transformaram sugestões de dois no desejo de todos por um mundo adotivo melhor. Nenhuma demonstração de egoísmo, falácia, nenhum sofisma, todos que visitei e li deixaram seus corações pulsar a valer e deitaram falação... e botaram para fora angústias e medos, esperanças e desejos, conselhos e pedidos de sugestões, orientações técnicas colhidas em meios apropriados, blogueiros capitaneando com rigidez de princípios morais. Todos sem exceção estão de parabéns! Fiquei feliz pela atuação da guerreira Geórgia, a incansável perseguidora de perfeição e organização que acatou sugestões simples e as pôs em prática. Bom final de semana. Escrito por Dácio Jaegger às 00h04


09/11/2008
C a r t a à G e o r g i a A e g e r t e r (Saia Justa) (extensiva aos 1 4 0 blogueiros da Blogagem Coletiva da Adoção),
com os meus agradecimentos por ter pegado o pião na unha para a organização e efetivaçãode uma semana de blogagem, porque o assunto está a merecer toda reflexão de mães e pais, filhos biológicos e adotados.
Olá querida amiga e demais amigos!
Antes, quero esclarecer que em 1958 a natureza predominantemente hereditária da Câmara dos Lordes foi mudada pelo Ato da Nobreza de Vida /58, que autorizava a criação de baronatos de vida (que não eram transmitidos aos descendentes), sem limite numérico. Com isto, impediu-se que os desmandos da realeza britânica permanente continuassem a dominar e subjugar o povo inglês e da comunidade britânica. De lá escapou para o povo da ilha; outras nações se apropriaram (não tinha copyrigth). O ato de nobreza é muito mais nobre do que se pensa, origina-se no coração e mantém base no coração, e é aí que quero chegar. Veja como o amor é pouco usado na adoção. É estudo e estatística de Brasil, deste país feito por nós.
Quero "en passant" lembrar que segundo o Livro do Êxodo, Moisés foi adotado pela filha de um Faraó após ser "achado" num cesto boiando no Rio Nilo e educado na corte como um princípe do Egito. A princesa cometeu um ato de nobreza ao adotá-lo, posteriormente de AMOR, ao criá-lo. Jesús, o filho de Maria foi concebido pelo Espírito Santo por amor? Sim? José, pelas lei da época acusaria Maria que seria condenada ao apedrejamento por adultério. Ele aceitou a explicação de um anjo e tornou-se pai adotivo de Jesús. Um ato de nobreza. Brutus, um filho adotivo da nobreza, o foi por amor? Sabe-se que matou o pai adotivo Cesar, no complô do Senado Romano. "Rômulo e Remo da lenda, filhos adotivos de uma loba (qual o simbolismo?) vieram a fundar Roma" (?!). Em Esparta, crianças aleijadas ou doentes eram atiradas num despenhadeiro por questão eugênica. Povos primitivos como, aborígenes, índios brasileiros, por questões econômicas, matavam e matam bebês defeituosos ou nascidos fora de casamento. Os chineses mantém prática que a lei permite, um único filho por casal. Chegam a abusos, como o infanticídio, os abortos forçado e seletivo de fetos femininos, por casais que preferem ter um menino. Existe adoção na China? No Brasil, a imprensa vez por outra aborda o tema procurando atiçar o amor daqueles que poderiam adotar uma criança, a pedido de juízes, promotores, ONGs e outros. E há um movimento intrínsico no povo que quer adoções legais de crianças (58%) nos orfanatos do governo, de instituições religiosas ou de ONGs. Há adoções ilegais (42%).
"Histórias de adoção onde filhos se revoltam contra pais ou de filhos adotivos que abandonam suas casas, são tão comuns quanto em famílias constituídas biologicamente. Considerar que "um filho é bom por ser ele filho biológico" ou que "um filho é mau por ser ele filho adotivo" significa uma permeabilidade aos mitos advindos da cultura da adoção; significa estigmatizar a adoção e desconsiderar seu potencial criativo; significa descrer na possibilidade de exercer a maternidade e a paternidade por via da adoção. (Mário Lázaro Camargo é psicólogo, mestre em Psicologia pela Unesp).
A psicóloga Lídia Weber, em sua tese de doutorado na Universidade Federal do Paraná, (aqui) aponta razões de demora na adoção. Uma delas, a exigência do adotante. Ouvindo 400 famílias em 17 estados, ela verificou que 85% assumiram bebês de até 2 anos. "O limite de idade é maior que a preferência pela cor da pele", observa. ( Só até 2 anos há amor? Acima nem nobreza? Em agosto passado, das crianças liberadas para adoção e mantidas em abrigos paulistas ligados a ONGs e igrejas, 1 042 estavam com mais de 12 anos ou tinham irmãos, que a lei não separa (repelidos, quando existiria tanto amor para dar nos casais adotantes... Também o ato de nobreza não cabe... Estrangeiros aceitam essas condições. Hoje, há 40 mil franceses e 18 mil italianos na fila (São todos eles dotados de amor incomensurável? Superam os brasileiros neste quesito, então?), mas eles só entram no páreo depois que os nacionais abrirem mão Uma medida legal pretende conter a adoção internacional para garantir à criança o direito à nacionalidade – há 80 mil crianças e adolescentes nos orfanatos brasileiros – não se pode esperar nem amor nem nobreza nos juizados. Outro fator dramático envolve a destituição do poder familiar. Com base no E C A e no Código Civil, a criança só pode ser destinada à adoção após a sentença que tira dos parentes o direito sobre ela. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feito em 2004 em 580 abrigos do país revelou que 88% das 19 373 crianças não estavam aptas a adoção porque continuavam legalmente ligadas aos pais. O juiz Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, do Tribunal de Justiça de São Paulo, explica: "Não podemos privar a família de criar o filho porque é pobre. Esgotamos as tentativas de reestruturá-la para que possa receber a criança de volta". Para isso, recorrem à rede social de apoio do poder público e de ONGs. No mar de entraves com que essas iniciativas navegam, as soluções levam tempo. "Assim, a criança 'envelhece', passa da idade procurada pelos adotantes", diz Lídia." Em "Mitos e Verdades no Processo de Adoção" Lídia Weber "nos leva a uma discussão reflexiva sobre os mitos, medos e preconceitos presentes no processo de adoção no Brasil.
Mito Filhos adotivos sempre têm problemas.Verdade O filho adotivo não tem dificuldades na escola, nem com a educação ou relacionamento afetivo. Mito Pais adotivos preferem não revelar a adoção para o filho.Verdade Pais adotivos contam sobre a adoção, mas não gostam de falar sobre isso com freqüência com seu filho.Mito Filhos adotivos sempre pensam na família de origem e querem conhecê-la.Verdade Ele não quer ter muitas informações nem conhecer a família biológica, mas quer conversar sobre a adoção. Mito Escolher a criança a ser adotada facilita o vínculo afetivo.Verdade A escolha da criança não determina maior ou menor qualidade no relacionamento afetivo. Mito A motivação para a adoção é sempre a infertilidade.Verdade 63% dos adotantes adotaram por infertilidade e 37% alegaram motivações altruístas. Mito A motivação para adoção é fundamental para o sucesso da adoção e adoções "por caridade" não dão certo.Verdade A motivação (altruísmo ou infertilidade) não determina melhor relacionamento afetivo.Mito Somente pessoas ricas podem adotar.Verdade Há adotantes em todas as faixas econômicas, mas há predomínio de pessoas com melhor poder aquisitivo e melhor condição sócio-cultural. Mito Pessoas mais esclarecidas são menos exigentes e têm menos preconceito.Verdade Adotantes de menor poder aquisitivo e nível sócio-cultural são os que mais fizeram adoções altruístas e apresentaram exigências menores em relação à criança. A proporção de pessoas das religiões espíritas e protestantes é mais alta entre os adotantes do que na população em geral.Mito Os adotantes preferem bebês recém-nascidos.Verdade Sim, 71% adotam bebês com até 3 meses e com leve preferência por meninas de cor branca e saudáveis. Mito Adotar deve ser natural e não é preciso preparação especial.Verdade Os adotantes e filhos adotivos afirmam que é fundamental ter uma preparação para a adoção.Mito Atualmente as adoções são através do sistema legal.Verdade 52% das adoções são legais (Juizados) e 48% informais (registro da criança como filho biológico).Mito Filhos adotivos com a cor de pele diferente têm mais problemas em relação à discriminação.Verdade A cor da pele da criança adotada não traz maior discriminação ou tratamento preconceituoso. Mito Pais com filhos biológicos e adotivos têm sentimento maior pelos biológicos.Verdade Famílias por adoção sofrem discriminação quase sempre da extensão familiar e dos amigos. Mito É melhor a criança adotada não saber de sua adoção.Verdade Pais e filhos biológicos afirmam que o tratamento é igual, mas os adotivos dizem que, às vezes, os biológicos têm melhor tratamento. Mito É melhor não falar muito do assunto com o filho adotivo para não potencializar a importância da origem.Verdade Problemas encontrados nas famílias: na ocorrência de revelação tardia (após os 6 anos) ou feita por terceiros. Mito Adotantes que optaram pelo processo legal têm opinião positiva sobre os Juizados.Verdade Tanto os que fizeram adoções legais quanto informais têm imagem negativa dos Juizados. Mito Filhos adotivos têm dificuldade em amar seus pais adotivos.Verdade 92,5% dos filhos adotivos afirmaram amar seus pais e os pais adotivos citam "ser afetivo" como o principal atributo em seus filhos adotivos.
Pais adotivos por ato de nobreza contam sobre a adoção, mas por amor não gostam de falar sobre isso com mais freqüência com seu filho. 63% dos adotantes adotaram por infertilidade que lhes causou sentimento de fracasso, frustração, etc; a adoção é um ato de compensação e 37% alegaram motivações altruístas, um ato de nobreza. A motivação (altruísmo ou infertilidade) não determina melhor relacionamento amoroso ou afetivo. Sabe-se diferençar estes dois sentimentos? Adotantes de menor nível sócio-cultural e aquisitivo são os que mais fizeram adoções altruístas e apresentaram exigências menores em relação à criança, portanto ato de nobreza. A proporção de pessoas espíritas e protestantes é mais alta entre os adotantes do que na população em geral. Ato de amor? A maioria dos adotantes (71%) adotam bebês com até 3 meses e apresentam leve preferência por meninas de cor branca; rejeitam pardas e negras (por preconceito?). 25% aceitam maiores até 4 anos, brancos e saudáveis por um ato de nobreza. Por amor, alguns doentes, deficientes e negros maiores ficam para 4% dos casais. E por inconveniência, desamor e falta de nobreza pessoas chegam à vida adulta nos orfanatos e são expulsos de lá. O amor é, dentre outras coisas, devoção de uma pessoa ou um grupo de pessoas por um ideal concreto ou abstrato; interesse, fascínio, entusiasmo, veneração. Em "Construir Notícias" encontramos esta pérola de Lídia Weber: "Enquanto os técnicos dos Serviços de Adoção do Poder Judiciário no Brasil tentam criar condições perfeitas (encontrar candidatos perfeitos para bebês perfeitos), a maioria das adoções em meu país é classificada como "inadequada" pela maioria dos profissionais da área da psicologia, são adoções singulares: baseadas em mentiras (registrar uma criança como filho biológico); a motivação mais freqüente é egoísta, ou seja, é a satisfação de um desejo de maternidade; a preparação dos adotantes e das crianças é praticamente inexistente; entre outros aspectos desfavoráveis."
Obrigado pela atenção, Dácio Jaegger

10 de fev de 2009

aguardando pstagem do uol

9 de fev de 2009

aguarda postagem uol

6 de fev de 2009

postagem

5 de fev de 2009

mais dum dia

4 de fev de 2009

quarta feira quentérrima

3 de fev de 2009

terça feira

2 de fev de 2009

Editar postagem UOL

30 de jan de 2009

terceira postagem
segunda postagem
primeirapostagem

28 de jan de 2009

quarta feira 28/01/90


primeira postagem

segunda

terceira

27 de jan de 2009

mais um dia

25 de jan de 2009

segunda feira dia 26
24/01/2009--primeiro-acertei
coloReflexões Revista Piaui

Pois é meu caro!
Primeira revelação importante, sua moradia no Rio
Segunda, estarmos junto em Letras Mínimas, cuja capa é design pessoal.
Prazer
Vi Tapiti descendo do poente em direção a Niterói, por volta de meia-noite. O negócio é achá-la por aqui.
Quanto a hai kai, venho há tempos num sério treinamento e os fazia como muitos por
aí. Achava que bastava ser curto para ser um. No início até escrevia hai kay; procureisaber o que era e apelei para o Google quando descobri sua origem no longinquo século XVII.
Sua prática era popular e sem uma ordem definida.
O principal haicaísta foi Matsuô Bashô (1644-1694), no Japão, que codificou e implantou os cânones do tradicional haicai japonês.
Um hai kai originalmente tem que ter rigorosamente 17 sílabas. Sua tradução da língua japonesa quase sempre leva a versões que ultrpassam as tais e chegam a
23/01/2009 12:09 segundo
domingo 25
A data no relógio está 23/01/09
Reflexões Revista Piaui

Eu gostaria que meu pai ou minha mãe, ou os dois, já que ambos tinham a mesmíssima responsabilidade, houvessem refletido sobre o que estavam fazendo quando decidiram me conceber. Por outro lado acredito que atuavam movidos por uma boa quantidade de reflexos primitivos, alguma macaquice, talvez. Sem essa de que passaram antes pelo jardim zoológico ou assistiram a um documentário pertinente. Deixando de ser impertinente, confesso que condicionados pela natureza não haviam que ceder a mirabolações. O pai, não tenho dúvidas, chegou perto de refletir com uma firme genuflexão. Fiel ao princípio de que ajoelhou tem que rezar.Dacio Jaegger
22/01/2009

atrasado o relógio para dia 23 01 09mm
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mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
mmmmmmmmmmmmm
mmmmmmmmmmmmmmmmmm
mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
21/01/2009
entrará a data de 23/01/09?

24 de jan de 2009

23/01/2009

Alterei a data atrasando um dia / valerá? não valeuPois é meu caro!
Primeira revelação importante, sua moradia no Rio
Segunda, estarmos junto em Letras Mínimas, cuja capa é design pessoal.
Prazer
Vi Tapiti descendo do poente em direção a Niterói, por volta de meia-noite. O negócio é achá-la por aqui.

22/01/2009


Quanto a hai kai, venho há tempos num sério treinamento e os fazia como muitos por
aí. Achava que bastava ser curto para ser um. No início até escrevia hai kay; procureisaber o que era e apelei para o Google quando descobri sua origem no longinquo século XVII.
Sua prática era popular e sem uma ordem definida.

21/01/2009

O principal haicaísta foi Matsuô Bashô (1644-1694), no Japão, que codificou e implantou os cânones do tradicional haicai japonês.
Um hai kai originalmente tem que ter rigorosamente 17 sílabas. Sua tradução da língua japonesa quase sempre leva a versões que ultrpassam as tais e chegam a

22 de jan de 2009

foi consertada a datação?

18 de jan de 2009

No entanto nas mulheres atingi o máximo da glória. Com volumes e formatos variados orno seus tórax ao par tornando-as esbeltas, elegantes, apetecíveis, cobiçadas e atraentes. Houve um tempo que era mantida um tanto escondida pela vestimenta, mas com uma forte sugestão erótica ao ser levantada um tanto oferecida por espartilhos feitos de barbatanas de baleias. Nos países do Oriente sempre vivi oculta sob roupas, na Grécia e Roma era exibida sob roupas leves e semitransparentes. Na época das trevas, na Idade Média nem nas relações amorosas era vista, apalpada, beijada ou chupada – só pelos filhos e olhe lá. Entre os povos das florestas em qualquer latitude os machos nem sabem deste alto valor; paciência! Portanto a mulher moderna sabe muito bem do meu valor, não falo no aleitamento, que o mundo se criou graças a ele. Falo mesmo do alto valor como moeda de troca nas transas caprichadas em que sou buscada pelo homem e oferecida pela minha proprietária sem meias palavras, usada e abusada, em qualquer credo, um deleite para olhos gulosos, um bom bocado para bocas gulosas, sem nenhuma distração, um passeio para dedos espertos e nervosos. Há até algo mais lascivo, mas um pouco ruborizada prefiro me remeter à minha vida nas praias, as dos nudistas em que sou oferecida ao suave toque dos ventos, aos beijos marotos dos raios de sol, à grudação à milanesa dos grãos de areia e ao desmanche destas sensações pelos seus sequestro na água do mar. Parece-me que nem procurada pelo olhares desatentos dos se fêmeas da ocasião. E logo ali detrás da montanha numa praia infindável, tem de tudo, desde os vendedores de iguarias aos que ofertam serviços ou quinquilharias e eu, montada em lindos e formosos tórax (as feias que me perdoem). Aqueles, a faturar olham de soslaio, mulheres e homens, estes do meu interesse me fitam, eles indecorosamente, que bom, adoro. Fico excitada às vezes, perdoem meu mamilo, é ele, este pequeno altar dos deuses. Mas uma coisa me encuca, ele é centenas ou até
No entanto nas mulheres atingi o máximo da glória. Com volumes e formatos variados orno seus tórax ao par tornando-as esbeltas, elegantes, apetecíveis, cobiçadas e atraentes. Houve um tempo que era mantida um tanto escondida pela vestimenta, mas com uma forte sugestão erótica ao ser levantada um tanto oferecida por espartilhos feitos de barbatanas de baleias. Nos países do Oriente sempre vivi oculta sob roupas, na Grécia e Roma era exibida sob roupas leves e semitransparentes. Na época das trevas, na Idade Média nem nas relações amorosas era vista, apalpada, beijada ou chupada – só pelos filhos e olhe lá. Entre os povos das florestas em qualquer latitude os machos nem sabem deste alto valor; paciência! Portanto a mulher moderna sabe muito bem do meu valor, não falo no aleitamento, que o mundo se criou graças a ele. Falo mesmo do alto valor como moeda de troca nas transas caprichadas em que sou buscada pelo homem e oferecida pela minha proprietária sem meias palavras, usada e abusada, em qualquer credo, um deleite para olhos gulosos, um bom bocado para bocas gulosas, sem nenhuma distração, um passeio para dedos espertos e nervosos. Há até algo mais lascivo, mas um pouco ruborizada prefiro me remeter à minha vida nas praias, as dos nudistas em que sou oferecida ao suave toque dos ventos, aos beijos marotos dos raios de sol, à grudação à milanesa dos grãos de areia e ao desmanche destas sensações pelos seus sequestro na água do mar. Parece-me que nem procurada pelo olhares desatentos dos se fêmeas da ocasião. E logo ali detrás da montanha numa praia infindável, tem de tudo, desde os vendedores de iguarias aos que ofertam serviços ou quinquilharias e eu, montada em lindos e formosos tórax (as feias que me perdoem). Aqueles, a faturar olham de soslaio, mulheres e homens, estes do meu interesse me fitam, eles indecorosamente, que bom, adoro. Fico excitada às vezes, perdoem meu mamilo, é ele, este pequeno altar dos deuses. Mas uma coisa me encuca, ele é centenas ou até